Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Encurtar sessão é 'golpe do golpe', dizem governistas

Renan Calheiros sinalizou que poderia encerrar as discussões

Isabela Bonfim e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2016 | 16h19

BRASÍLIA - Senadores da base do governo não estão satisfeitos com possibilidade de encurtar a sessão que discute o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No início da sessão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou que poderia encerrar as discussões e partir direto para a votação.

"É o golpe dentro golpe. Não podem nos impedir de falar", disse o líder do PT, Paulo Rocha (PA). De acordo com ele, essa sugestão é uma estratégia da oposição, já que os governistas estão inscritos mais para o final da lista. Caso a discussão seja suspensa, eles não teriam a oportunidade de falar.

Até o momento, apenas 15 dos 68 senadores inscritos falaram. Apenas um deles discursou a favor da presidente Dilma, o vice-líder do governo, Telmário Mota (PDT-RR). Nos cálculos da assessoria técnica do Senado, a votação em si deve ser realizada apenas às 5h da manhã. 

O líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou há pouco ao Broadcast Político que seria uma "violência" se aprovar um requerimento a fim de encerrar a fase de discussão e passar diretamente para votação do afastamento da petista pelo plenário da Casa. A oposição começou a discutir nos bastidores a apresentação de um pedido para "acelerar" a apreciação do caso.

"Eu acho que isso aí seria uma violência, uma agressão ao processo democrático no Senado não vamos aceitar isso de jeito nenhum", criticou Humberto. Para o líder governista, o ideal seria se suspender a sessão de debates desta quarta-feira e retornar na quinta.

Os governistas aparecem na lista de oradores por volta da metade, já os principais porta-vozes do governo, como líderes, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), estão entre os últimos. A intenção dos senadores oposicionistas seria propor um requerimento para encerrar os debates à noite, após a fala de alguns parlamentares aliados à Dilma. Contudo, ainda não está fechada se essa articulação será efetivamente levada a cabo.

Independentemente da insatisfação dos governistas, talvez não seja possível conter a redução da sessão do impeachment. Como o próprio Renan sinalizou, a sugestão de encerramento da fase de discussão pode ser feita regimentalmente por meio de um requerimento. 

"Eu quero só lembrar aos senadores que, à medida que esta sessão se estenda, na forma do Regimento, se for o caso, eu aceitarei requerimento para que nós possamos encerrar a discussão e passarmos à votação", disse Renan. Colocado o requerimento em votação, o governo hoje tem minoria no plenário, e não tem certeza se conseguiriam derrubar a proposta. 

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