Encontro vira comício, na zona de produção de coca

O evento para a assinatura de atos entre Brasil e Bolívia, com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, tornou-se ontem um comício a favor da reeleição do boliviano, numa das maiores regiões produtoras de coca do planeta. No encontro, que reuniu cerca de 5 mil pessoas, Lula chegou a vestir rapidamente um colar feito de folhas de coca, produto tradicional das comunidades indígenas da Bolívia, considerada o país mais pobre da América do Sul.Evo aproveitou a presença de Lula em seu reduto político, incrustado na selva, para demonstrar força e prestígio no momento em que busca se reeleger - haverá eleições presidenciais em outubro. O cenário escolhido, uma cidade de 2.500 habitantes, fica na região de Chapare, conhecida pelo refino e pela "exportação" de cocaína, especialmente para o Brasil, principal mercado consumidor, segundo autoridades bolivianas. A Bolívia é a terceira maior produtora mundial de cocaína, atrás de Colômbia e Peru.No comunicado conjunto divulgado pelos dois países, há menção sobre o combate ao narcotráfico. No documento, os presidentes "expressaram satisfação com os resultados concretos do processo de intensificação e aperfeiçoamento da cooperação policial entre os dois países." Também determinaram que a Polícia Federal brasileira e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico da Bolívia prossigam "ampliando a cooperação bilateral, inclusive por meio de instrumentos jurídicos e logísticos necessários a ações mais efetivas nesse contexto".Lula foi recebido com festa na região. O trajeto de 30 km da Base Aérea de Chimoré, onde desembarcou, até Villa Tunari foi tomado por bolivianos que seguravam as bandeiras brasileira e boliviana. Alguns também abanavam a bandeira whipala, que representa os índios da região andina.

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