Encontro entre Serra e Maia será protocolar

O ministro da Saúde e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, desembarca nesta sexta-feira no Rio de Janeiro para um compromisso oficial com o prefeito Cesar Maia (PFL), em meio a um bate-boca entre tucanos e pefelistas. Maia, que além de prefeito do Rio de Janeiro é vice-presidente nacional do PFL, vem pregando a renúncia do candidato do PSDB a presidente, para desespero do comando tucano. Ao mesmo tempo em que o presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), diz que Maia não passa de um "aventureiro e provocador arrogante e autoritário", o secretário-executivo do PSDB, Saulo Queiroz, sai em defesa do prefeito."O Serra é um ótimo ministro e um homem preparado, mas faltam a ele ingredientes para se tornar um candidato competitivo", disse Queiroz hoje, ao lembrar que Maia é um "especialista em leitura de pesquisas eleitorais", que tem traduzido o que pensa o comando do partido: "Serra dificilmente passará dos 12% nas pesquisas de intenção de voto".Desde sexta-feira, Serra empenha-se em desmentir um suposto jantar seu, com o prefeito Maia. "Não marquei e não marcarei este jantar com o Cesar porque seria inútil; não temos o que falar", repetia o ministro, inconformado com as notícias do encontro. "Esse jantar nunca existiu", confirma José Aníbal, que acabou sofrendo ataques até do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), filho do prefeito. "Este filho dele eu nem respondo, porque é a sub-língua de aluguel", devolveu ontem José Aníbal, que Rodrigo chamou "José Inábil", em um trocadilho com as letras do nome do presidente do PSDB. Irritado, o tucano atribui as pedradas ao impacto da candidatura Serra. "O Cesar não é analista de coisa alguma; é um primitivo, um reles provocador que quer aparecer", devolve José Aníbal, convencido de que os ataques são, na verdade, fruto da preocupação do PFL. "Eles estão temerosos do nosso crescimento, porque nos juntamos todos em torno de Serra e eles imaginaram que fossemos nos perder em brigas internas", justifica.Aníbal sempre acompanha Serra em suas viagens que misturam compromissos oficiais de ministro com campanha presidencial, mas não irá ao Rio desta vez, por conta do clima azedo entre os dois partidos.Além de assinar convênio do Ministério da Saúde com a prefeitura do Rio no valor de R$ 22 milhões, para a construção de três maternidades em dois anos, Serra lança amanhã, às 13h, o programa bolsa alimentação em Bangu. Em seguida, o ministro viaja a São Paulo, onde, às 16h, inaugura um centro de transplantes do Hospital Albert Einstein. No sábado, o candidato vai para Vinhedo (SP), visitar uma policlínica e inaugurar uma estação de tratamento esgoto. Ao final, receberá do prefeito tucano Milton Álvaro Serafim, do PSDB, o título de cidadão honorário de Vinhedo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.