Encontro de prostitutas discute prevenção de DST na Bahia

O 1º Encontro Nordeste/Sudeste de Profissionais do Sexo deve reunir 150 prostitutas em Salvador na segunda e terça-feira, além de técnicos do governo, universidades e instituições que realizam campanhas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. O Brasil possui 27 associações de prostitutas, mas não há uma pesquisa oficial que determine o número das profissionais de sexo em atuação no País. Conforme a Associação das Prostitutas da Bahia (Aprosba) oito mil mulheres trabalham nessa "área" no Estado, das quais duas mil em Salvador.A organização da classe vem se refletindo na utilização cada vez maior de preservativos pelas prostitutas, o que contribui, conforme a presidente da Rede Nacional de Prostitutas, Gabriela Leite, para a luta contra a aids. "As prostitutas não são as responsáveis pela aids", sustenta Gabriela lembrando que pesquisas mostram que as mulheres casadas apresentam um alto índice de contaminação. "Toda a sociedade tem culpa e precisa discutir de forma aberta e sem preconceitos a questão do sexo", comentou.De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Efetividade das Ações de Prevenção dirigidas às Profissionais do Sexo, realizada pela Universidade de Brasília (UnB), o índice de prostitutas que usam preservativo é de aproximadamente 70%. Segundo a pesquisadora da UnB e coordenadora do Fórum de Mulheres do Distrito Federal, Kátia Guimarães, outro número importante e que mostra que as prostitutas estão cada vez mais conscientes é o alto índice de utilização do preservativo com o parceiro fixo. "Ao contrário do que muitos imaginam, esse índice é igual a média nacional", disse a pesquisadora, que vai detalhar a trabalho durante o encontro de Salvador.Ela adiantou que o levantamento foi realizado pela UnB, nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, ouvindo três mil mulheres de nove cidades. É o mais amplo e importante trabalho de identificação das práticas sexuais de risco das prostitutas e seus clientes, preconceitos e perigos da profissão.

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