Encontro da CNBB discute pobreza e Amazônia

Três questões de ordem política e social - o combate à pobreza, a analise do momento atual e a situação da Amazônia - vão concentrar a atenção dos bispos, paralalemente à discussão do tema central, o novo estatuto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),durante a 39.ªAssembléia Geral do episcopado, aberta no Mosteiro de Itaici, no município paulista de Indaiatuba. "A Igreja tem de olhar para o Brasil e pergungar por que este país tem tantos pobres, tanta fome e tanta miséria", advertiu o presidente da CNBB, d. Jayme Henrique Chemello, na cerimônia de abertura da assembléia. A discussão ganhou força logo na primeira reunião da manhã, quando o bispo de Duque de Caxias (RJ), d. Mauro Morelli, sugeriu que o episcopado se pronunciasse sobre os efeitos da globalização, na linha das declarações e apelos que o papa João Paulo II tem feito, em favor de uma globalização solidária. O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, assessor da CNBB para o setor Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), apresentou o texto Análise de Conjuntura. O relatóro de Oliveira prevê que, em conseqüência das dificuldades enfrentadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, especialmente o racionamento de energia, as próximas eleições deverão levar a oposição ao poder. O assessor, que é professor da Universidade de Brasília, logo recebeu o apoio de vários bispos, mas sem unanimidade. "Com todo o respeito a essa análise, eu gostaria que a CNBB ouvisse também pessoas que têm outras opiniões", sugeriu o bispo de Imperatriz (MA), d. Affonso Gregory, presidente do Centro de Estatística Religiosas e Investigações Sociais (Ceris). "Eu gostaria de ouvir, por exemplo, os empresários", acrescentou. O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), d. Tomás Balduíno, bispo emérito de Goiás(GO) saiu em defesa de Oliveira, com o argumento de que, na evidência de tantas injustiças, ?não se pode falar em imparcialidade?.

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