Encontro com prefeito eleito foi cordial, mas tenso

Cesar Maia colocou informações à disposição, mas não quis dar entrevista ao lado de Eduardo Paes

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

Depois de ataques mútuos durante a campanha, o futuro e o atual prefeito do Rio tiveram ontem um encontro rápido, cordial, mas nada afetuoso. Ex-aliados, Eduardo Paes, do PMDB, e Cesar Maia, do DEM, falaram apenas sobre transição na reunião de menos de meia hora no Palácio da Cidade. Maia pôs o secretariado à disposição e disse que as informações da prefeitura estão abertas à equipe do peemedebista. Também falou sobre projetos que aguardam votação na Câmara Municipal. Não levou o peemedebista até a entrada do palácio, como costuma fazer com convidados, e não quis dar entrevista.Apenas posou para fotos ao fim da reunião.Na saída, Paes falou sozinho. "O prefeito é um político experiente. Sabe que o debate político tem que acontecer. Se concordássemos em tudo, eu tinha sido o candidato dele", disse. "Sou prefeito eleito, ele é o ex-prefeito. Tratamos dos procedimentos para a transição", afirmou Paes, sem considerar que o mandato de Maia vai até 31 de dezembro. As brigas entre os dois acentuaram-se no segundo turno, quando o peemedebista acusou o adversário Fernando Gabeira (PV) de "esconder" o apoio do prefeito. No primeiro turno, Maia viu sua candidata, Solange Amaral, ficar em sexto lugar. Na sexta-feira antes da eleição, depois do debate da TV Globo, Paes chegou a dizer: "Prefiro o apoio do deputado Jorge Babu ao do prefeito". Babu é deputado estadual do PT investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com um grupo de milícia na zona oeste. Maia denunciou uso da máquina estadual em favor de Paes, disse ter recebido informações de tentativa de fraude no segundo turno e apelidou o candidato de "Dudu UPA, UPA", em referência às Unidades de Pronto Atendimento prometidas pelo peemedebista, aliado do governador Sérgio Cabral - outro desafeto do prefeito. Ontem, segundo Paes, não houve pedidos de desculpas nem referência à disputa eleitoral. "Foi ótimo, a transição será civilizada, tranqüila e pacífica. O prefeito estava à vontade", afirmou. Hoje, Paes, ex-tucano, vai a Brasília para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antigo adversário que agora virou aliado.

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