Encontrados fósseis de 2 milhões de anos na BA

Se provoca flagelo para milhões de habitantes do Nordeste, a seca, paradoxalmente, impulsiona uma ciência que estuda o passado, a arqueologia: centenas de fósseis de animais pré-históricos do período Pleistoceno (entre 2 milhões e 11 mil anos atrás) são descobertos no sertão baiano durante as grandes estiagens, como ocorre atualmente.Ossos de mastodonte, preguiça-gigante, gliptodonte (tatu-gigante) e toxodonte (um animal com corpo de características semelhantes a rinoceronte e hipopótamo) foram encontrados recentemente por moradores que cavavam buracos na terra para instalação de tanques e cisternas, usados na captação de água nos municípios de Jaguarari, Lapão e Mulungu do Morro, entre 300 a 500 quilômetros de Salvador. As descobertas levaram à região uma equipe de técnicos do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) e Museu Geológico da Bahia, ligado à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração do Estado, que realizaram a identificação. A expedição foi liderada pelo paleontólogo Diógenes de Almeida Campos, do Museu de Ciências da Terra do Rio de Janeiro e assessor do Museu de História Natural de Nova York.A maior preocupação de Heli de Almeida Sampaio, coordenador do Museu Geológico da Bahia, é quanto à preservação desse tesouro arqueológico do sertão baiano, que pode ajudar a determinar a fauna da pré-história brasileira e as condições ambientais da época. "Temos a necessidade de preservar e evitar a exploração predatória, de forma que o Estado só permita que pesquisadores profissionalmente habilitados tenha acesso aos locais, para que o resultado das pesquisas torne-se público", disse, lembrando que o material é "patrimônio da nação e da humanidade".Sampaio se preocupa com a prática, comum em várias regiões onde foram localizados sítios arqueológicos baianos, de moradores venderem os fósseis para pesquisadores de outros estados e países que não têm autorização do governo para estudar o material. Muitos fósseis são perdidos também pela manipulação inadequada dos moradores. Na zona rural de Mulungu do Morro, por exemplo, foram localizadas cercas fabricadas com ossos fossilizados. "Isso provoca perda irreparável de informação cientifica", comentou.O secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, Aroldo Cedraz, estuda uma proposta de convênio com o DNPM para aprofundar os estudos nos 400 sítios arqueológicos do Estado. A idéia seria a criação de um banco de dados sobre o material pré-histórico para pesquisas.

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