Encontrados 90 trabalhadores escravos em fazendas de Goiás

Um grupo de 90 trabalhadores escravos foi encontrado hoje por auditores do Trabalho em duas fazendas do município goiano de Campo Alegre, a 200 quilômetros do centro da capital federal. O Grupo de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, composto por quatro fiscais, um procurador e três policiais federais, constatou que os trabalhadores sobreviviam em alojamentos sem condições básicas de higiene. Até o final da tarde, os escravos ainda não tinham sido retirados das fazendas. Muitos deles estão doentes, segundo auditores. A ação dos fiscais na região produtora de soja, café e arroz deve continuar na próxima semana. Uma das propriedades onde se constatou trabalho degradante, a fazenda Barra Mansa, pertence ao grupo Agrofava, que produz grãos. Procurada para comentar o caso, a administração da Agrofava não retornou o telefonema. A outra propriedade, fazenda São Joaquim, pertenceria a um empresário conhecido por Neto. "Os trabalhadores foram alojados em verdadeiras pocilgas", disse o auditor Sérgio Carvalho, coordenador da operação. Com a retirada dos trabalhadores das duas fazendas goianas, chegará a 11.439 o número de escravos libertados nos últimos dez anos no País. Dados do Ministério do Trabalho consultados pelo Estado indicam que o Pará, à exceção dos anos de 1996 e 1995, foi o Estado onde se mais libertou trabalhadores escravos. Só neste ano, foram soltos 589 escravos em fazendas paraenses. Este número chegou a 1.887 no ano passado e 1.448 em 2002. De 1995 para cá, foram libertados um total de 5.698 escravos no Estado. Logo atrás no ranking da libertação de escravos (1995 a 2004) aparecem Mato Grosso (2.527 libertados), Bahia (1.243), Maranhão (1.216) e Tocantins (804). No município de Campo Alegre, os fiscais concluíram ontem que os trabalhadores foram agenciados por um "gato" conhecido por João Paracatu em cidades de Minas Gerais e Maranhão. Os escravos recebiam R$ 300 por mês, mas eram obrigados a gastar o salário com mantimentos, produtos de higiene e até equipamentos de proteção individual, como botinas e luvas, vendidos nas próprias fazendas. João Paracatu, segundo os auditores, contava com ajuda de policiais militares da região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.