Encontradas armas em fazenda que sem-terra foram mortos

A Polícia Civil de Minas Gerais apreendeu, nesta terça-feira, 12 armas no interior da Fazenda Nova Alegria, em Felizburgo, onde cinco integrantes do Movimento dos Sem terra foram assassinados, sábado, durante ação de um grupo de pistoleiros. De acordo com o delegado Wagner Pinto, que preside o inquérito, tudo indica que as armas foram utilizadas na chacina. As armas foram encontradas num local conhecido como "Boqueirão", a cerca de três quilômetros do acampamento, escondidas, numa área de mata fechada. O local havia seis escopetas (quatro de cano curto e duas de cano longo); duas carabinas, dois revólveres calibre 32, um revólver calibre 38, uma pistola semi automática e vasta munição, de vários calibres. O armamento encontrado é considerado mais uma forte evidência da participação do fazendeiro Adriando Chafik Luedy, dono do imóvel, e de seu sobrinho, o ex-policial, Calixto Luedy Filho, nos crimes. "Sem dúvida, nós já temos elementos significativos de que o fato criminoso tenha efetiva participação do fazendeiro Adriano e de seu braço-direito, Calixto", disse o delegado.Segundo o policial, Chafik é "o autor intelectual e material do ato". Ele e Calixto, além de serem os mandantes também teriam participado do ataque ao acampamento Terra Prometida. Os dois tiveram a prisão temporária decretada pela juíza Célia Martins, da comarca de Jequitinhonha, cidade vizinha à Felizburgo. IntermediárioA polícia também já concluiu que um homem identificado como Hamilton Santos fez a intermediação na contratação dos pistoleiros. Outros detalhes da chacina já estão claros, segundo o delegado. Entre eles os veículos utilizados na ação. O grupo chegou ao acampamento em uma van vermelha e teria fugido em uma caminhonete Toyota, que pertenceria ao fazendeiro. "O próximo passo agora é buscar a localização do Adriano", informa o delegado.Porém, alegando sigilo para não atrapalhar o curso das investigações, Wagner Pinto não confirma o nome das pessoas e nem o número de prisões temporárias decretadas pela Justiça na segunda-feira.O armamento apreendido será enviado para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, em Belo Horizonte, onde será submetido a um exame de comparação balística com as cápsulas e projéteis recolhidos no acampamento. "Tudo indica que elas foram usadas no ataque, mas precisamos esperar o resultado do exame", disse Wagner Pinto.Gerente é levado algemado para deporAntes da apreensão das armas, o delegado ouviu por quase duas horas o gerente da Fazenda Nova Alegria, Sebastião Cardoso. Algemado, Cardoso foi conduzido no final da manhã por policiais militares à sede da Prefeitura do município mineiro, onde estão sendo colhidos os depoimentos. Ele confirmou que trabalha há 18 anos para Chafik. "Ele prestou informações relevantes sobre o que realmente ocorreu naquele dia, e logicamente, têm dados que trazem subsídio para localização de outros supostos envolvidos", disse o delegado.O delegado afirmou que solicitou o depoimento para colher mais informações sobre o histórico de conflitos entre os sem terra e o proprietário da fazenda. "É pacífico desde o primeiro momento que a linha investigatória mais contundente é o conflito entre os sem terras acampados na Fazenda Nova Alegria, e o proprietário, neste caso o senhor Adriano". O gerente da propriedade foi liberado após o depoimento. Segundo o delegado, não há até o momento indícios de que ele tenha participado diretamente da ação criminosa. Integrantes do Terra Prometida, porém, denunciaram que o gerente da fazenda costumava ameaçar os sem terra e foi visto junto com um grupo de pistoleiros que invadiu o acampamento.Coordenadores do MST na região também denunciaram nesta terça-feira que uma pessoa armada teria sido vista nas imediações da sede da propriedade. O delegado pediu à Polícia Militar que fizesse varredura na região, mas considerou "bastante remota" a possibilidade de os autores dos crimes permanecerem na região. A PM diminuiu o efetivo deslocado para o Vale do Jequitinhonha. Segundo o coronel Sócrates Edgard dos Anjos, comandante geral da corporação, pouco mais de 30 policiais permaneciam na região. "O trabalho agora é mais de investigação", justificou.

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