Empréstimo pagou dívida do PT, diz Delúbio à Justiça

Partido tinha garantias para fazer operação com BMG, afirma ex-tesoureiro

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

10 Janeiro 2008 | 00h00

Interrogado durante duas horas e dez minutos ontem à tarde em São Paulo, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que o partido contraiu um empréstimo com o banco BMG no valor de R$ 2,4 milhões, em 2003, "para cobrir um déficit". Ele disse: "O PT tinha que quitar dívidas relativas a despesas de seus integrantes na época da transição, com a festa popular da posse do Lula."A festa a que Delúbio se referiu foi no início de 2003, quando Lula assumiu o governo pela primeira vez. "Essa foi a finalidade do empréstimo", afirmou.Delúbio foi interrogado ontem pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, que cumpriu carta de ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), onde corre ação penal contra o ex-tesoureiro por gestão fraudulenta de instituição financeira. Ele respondeu a todas as perguntas feitas pelo juiz, mas, orientado por seu advogado, o criminalista Celso Sanchez Vilardi, não respondeu a nenhuma pergunta do Ministério Público Federal.Além de Delúbio são réus nesse processo o deputado José Genoino (PT), na ocasião presidente do PT, o empresário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, e diretores do BMG. A denúncia contra Delúbio no caso BMG é desdobramento do inquérito do mensalão, em curso no STF. O Ministério Público sustenta que "a liberação de recursos milionários pelo BMG ao PT e às empresas ligadas a Valério deu-se de maneira irregular, porque a situação econômico-financeira dos tomadores era incompatível com o valor e as garantias dadas eram insuficientes".Segundo a denúncia, não foram observadas, nos contratos de financiamento, normas do Banco Central "ou as próprias normas internas do banco". A procuradoria ressalta que o BMG anistiou "altos montantes quando da rolagem das dívidas e não registrou os empréstimos na sua contabilidade".A investigação federal mostra que o PT e Valério tomaram empréstimos supostamente irregulares também no Banco Rural. O montante global de empréstimos atingiu R$ 55 milhões, entre fevereiro de 2003 e abril de 2004. O BMG afirma que tudo foi feito dentro da lei. "Não posso ter gerido fraudulentamente instituição financeira porque eu não era gestor do BMG", defendeu-se Delúbio. "É evidente que não tenho nenhuma responsabilidade pelos atos internos do BMG. O empréstimo existiu, foi renovado, o PT pagou juros", insistiu.O ex-tesoureiro rebateu ainda a acusação de que o partido não tinha garantias para viabilizar a operação. "O PT possuía liquidez em função da arrecadação que fazia." O juiz perguntou como ele conheceu Valério. "Fui apresentado por uma pessoa do PT e nos aproximamos quando ele participou da campanha do João Paulo Cunha à presidência da Câmara."

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