Empresas tinham 'pacto de não agressão' em fraudes em licitações, diz investigado

'Eram empresas que tinham muito bom relacionamento com o governo', diz Ricardo Pernambuco em depoimento a Bretas

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2017 | 19h52

RIO - O empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, disse nesta segunda-feira, 4, que empreiteiras tinham um "pacto de não agressão" envolvendo fraudes em licitações para obras no Rio. A declaração foi dada ao juiz Marcelo Bretas, na 7ª Vara Federal, no processo que apura irregularidades em contratos de obras com o estado.

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"Havia um pacto de não agressão entre essas empresas", disse. "Não houve uma reunião para fazer esse pacto. Mas eram empresas que tinham muito bom relacionamento com o governo. Essas obras tinham sido distribuídas entre essas empresas", afirmou o empresário. Ele estima que a Carioca tenha repassado R$ 30 milhões de propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

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Após o depoimento de Pernambuco, o empresário Fernando Cavendish, da Delta, também confirmou a existência do pacto entre as empresas durante as licitações. "Todos os grandes setores, rodoviário, ferroviário, aéreo, de energia, eram dominadas por elas. Elas tinham suas brigas, mas viviam em harmonia. Como fazer um aeroporto se nunca tinha feito um na vida? Fazer uma rodoviária de nunca tinha feito antes? Os editais eram montados", afirmou.

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Embora tenha admitido que participou do conluio, o empresário disse que a empresa era próspera e que não precisava disso. "Isso não combinava com a história da empresa", afirmou.

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O empresário Benedicto Junior, da Odebrecht, que também prestou depoimento, afirmou que as empresas "cobriam" as outras para mascarar a concorrência. Se não aceitasse participar de um consórcio, era ameaçado pelo governo de que outra empresa seria chamada para substituí-lo. A defesa de Cabral não se manifestou sobre as afirmações

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