Empresas suspeitas enviam documentos para o caso Renan

Presidente do conselho diz que toda documentação já foi enviada aos peritos da Polícia Federal

Rosa Costa, do Estadão,

27 de julho de 2007 | 20h55

Não apenas os órgãos do Estado e as pessoas físicas, mas também as empresas suspeitas de serem fantasmas encaminharam os documentos solicitados pelo Conselho de Ética para dar prosseguimento ao processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador é suspeito de ter quebrado o decoro parlamentar ao aceitar a ajuda de um lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, para pagar despesas pessoais da jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos.   Veja também:   Cronologia do caso Renan   O presidente do colegiado, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), disse que toda a documentação já foi enviada aos peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, encarregados de aprofundar o laudo sobre operações da venda de gado que, segundo Renan, teriam lhe propiciado o rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos.   "Até as empresas fantasmas, a Carnal e a GF, mandaram os documentos", disse Quintanilha. Segundo ele, os técnicos do Senado que foram atrás dessas empresas, voltaram de Alagoas dizendo que não tinham conseguido encontrá-las. "E eis que ontem chegou uma correspondência assinada pelos ex-contadores das duas, dizendo que tiveram negócios com Renan", informou. "Está tudo certo, os documentos estão chegando no prazo esperado e é tudo uma colaboração, poderiam nem ajudar, mas estão colaborando."   Sem parar   O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse nesta sexta-feira, em entrevista à Rádio Senado, que as investigações preliminares nos documentos apresentados por Renan em sua defesa devem ser concluídas na primeira quinzena de agosto. Casagrande é um dos três relatores do processo contra Renan.   Explicou que a comissão de investigação não parou, "e estamos atuando para agilizar a juntada de documentos para a Polícia Federal. Quem vai continuar a trabalhar neste início de período legislativo ainda é a comissão de investigação, a comissão de inquérito, porque o Conselho de Ética vai se reunir quando nós concluirmos nosso trabalho, a partir de 15 de agosto", afirmou o senador.   O maior volume de documentos em falta é devido pelas secretarias de Finanças e de Agricultura, controladas por aliados de Renan até a deflagração da Operação Navalha, que apura fraudes em licitações, quando alguns deles foram presos. O governo alagoano alega que vem dando total colaboração às investigações, além de ter demitido os envolvidos com a quadrilha.   Ao todo, foram formulados 30 quesitos sobre a evolução patrimonial de Renan, suas rendas agropecuárias e a autenticidade dos documentos com que ele tenta justificar a origem dos recursos usados no pagamento da pensão que pagava à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

Tudo o que sabemos sobre:
RenanConselho de Ética

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.