Empresas de fachada eram usadas em fraude no MTE

Relatório da operação Esopo, obtido pelo Grupo Estado, diz que empresas de fachada, usadas no esquema de desvio de recursos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), receberam mais de R$ 10 milhões. Elas serviriam apenas para emprestar seus dados e contas bancárias para o saque de "quantias milionárias" pelo grupo investigado. A Gráfica Indianara, com sede em Congonhas (MG), teria recebido R$ 2 milhões sem ter nenhum funcionário ou movimentação financeira.

FÁBIO FABRINI E EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

10 de setembro de 2013 | 23h04

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta segunda-feira, 9, 22 pessoas, acusadas de fraudes em convênios do ministério e de vários estados com a Oscip Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC). Um dos investigados, o secretário-executivo do MTE, Paulo Roberto dos Santos Pinto, é suspeito de ignorar irregularidades da entidade e determinar à Controladoria-Geral da União (CGU) que a retirasse do cadastro de proibidas de receber recursos federais. Ele pediu nesta terça-feira, 10, demissão do cargo. O subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração, Nilton Fraiberg Machado, substituirá Paulo Pinto interinamente.

Conforme o inquérito da Operação Esopo, o IMDC assediava servidores e autoridades públicas para conseguir convênios de programas como o Pró-Jovem. Os serviços eram superfaturados ou nem sequer prestados. Nos cálculos da PF, o esquema pode ter desviado R$ 400 milhões. Deivson Oliveira Vidal, do IMDC, deixou um salário de R$ 800 na Federação da Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) para se tornar presidente da entidade e enriquecer, segundo as investigações.

Em depoimentos prestados à PF na cadeia, ex-prefeitos disseram que o deputado federal Ademir Camilo (MG), que deixou o PDT para se filiar ao PSD, era quem conseguia liberar recursos para municípios do Norte de Minas que contratavam o IMDC. Assessor do parlamentar até julho, Marcos Vinícius da Silva atuava junto às prefeituras para facilitar as parcerias com a entidade e agilizar pagamentos, conforme o inquérito. Considerado foragido, ele foi demitido pelo parlamentar depois que outra operação da PF, a Violência Invisível, ligá-lo a esquema de falsificação de precatórios judiciais e venda desses títulos podres a prefeituras.

Suspeito de receber propina para favorecer o IMDC, o ex-prefeito de Januária (MG) Maurílio Neris afirmou que a verba para a cidade foi indicada pelo deputado, que teria "forte influência na entidade". O ex-prefeito de São João da Ponte Fábio Cordeiro disse à PF que conheceu o Pró-Jovem em reunião com o parlamentar e que ele era quem "tratava com o ministro Carlos Lupi (que deixou o cargo em dezembro de 2011) a respeito da liberação da verba". José Antônio da Rocha, que comandou a Prefeitura de São Francisco, contou que "Camilo foi quem conseguiu a verba que resultou na contratação do IMDC".

O deputado não está entre os investigados. Ele negou ter "influência" no IMDC e disse que pediu verbas para as cidades de Minas, de forma "global", e "não para a entidade". Segundo Camilo, o assessor Marcos Vinícius não tinha sua autorização para fazer nenhuma intermediação. O advogado do ex-assessor não foi localizado pela reportagem.

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