Empresas de cigarro não poderão participar de programas sociais

Aprovação do acordo de controle ao tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS) irá exigir uma mudança radical nas relações entre o governo brasileiro e a indústria do cigarro. Isso por que o acordo proíbe que empresas do setor participem de programas públicos sociais, como o Fome Zero, como está ocorrendo atualmente no País. A Souza Cruz revelou ao Estado que possui um plano de fazer doações de 100 toneladas de alimentos por mês ao Fome Zero e, nos últimos meses, tem distribuído alimentos para prefeituras. Mas segundo o novo acordo, o governo terá que rever sua política de receber doações de empresas do setor do tabaco. "Governos não devem receber doações desse tipo de empresa, pois essas supostas doações vêm acompanhadas de pressões e de poder de influenciar as decisões dos governos", afirmou Gro Harlem Brundtland, diretora da OMS. A posição da entidade é de que, ao aceitar qualquer tipo de ajuda do setor tabagista, o governo estaria criando uma relação que, no futuro, poderia obrigar o governo a tomar decisões que não prejudiquem as empresas que fazem doações a programas sociais. O ministro da Saúde, Humberto Costa, reconheceu que o tema terá que ser debatido no governo para que o Brasil não viole o acordo. "Pelo tratado, a contribuição (das empresas) não poderia ocorrer. Acho que o governo brasileiro precisa ter uma melhor noção da convenção, e aí poderemos ter uma linha de posição única de acordo com o tratado que vamos assinar", afirmou o ministro.

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