Empresas com ficha suja fazem doações a candidatos

Três empresas com "ficha suja" na Controladoria-Geral da União (CGU), por fraudes em contratos com a administração pública, alimentaram campanhas de vereadores e prefeitos por todo o Brasil. Elas contribuíram com doações a sete candidatos em Santa Catarina, Roraima e Acre. Elegeram um prefeito e dois vereadores.Segundo apurou o Estado, a Hemir Construções doou R$ 7,7 mil a Iracema Araldi (PSB), vereadora reeleita em Boa Vista (RR). A Pauta Equipamentos e Serviços liberou R$ 20 mil à campanha do peemedebista Gean Loureiro, vereador mais votado em Florianópolis (SC). E a Odonto Plus Comércio Ltda colaborou com R$ 2,9 mil para a campanha de Maria Gadelha (PT), que assumiu em 1º de janeiro a Prefeitura de Assis Brasil (AC).As três empresas foram condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por envolvimento em fraudes em licitações. Foram declaradas "inidôneas", punição mais grave aplicada pelo órgão, e estão atualmente impossibilitadas de participar de novos processos licitatórios até a data final de sanção do impedimento. No entanto, Pauta, Hemir e Odonto Plus estarão com a ficha limpa antes do fim do mandato dos novos prefeitos, e poderão participar de licitações novamente. O impedimento da Pauta Equipamentos e Serviços vai até agosto de 2011, o da Hemir Construções até julho de 2010 e o da Odonto Plus até junho de 2012. LEGALIDADEAssim como candidatos que respondem a processo judicial podem concorrer a cargos públicos, as empresas "ficha suja" podem realizar doações de campanha. Não há legislação que as proíba de participar como doadores no processo eleitoral. Hemir, Pauta e Odonto Plus distribuíram ao todo R$ 125 mil de seus cofres para eleger seus nomes prediletos.O vereador peemedebista Gean Loureiro, que recebeu R$ 20 mil da Pauta Equipamentos e Serviços, ressaltou que não está preocupado com essa doação. "Eu nem sabia que eles forneciam para a administração pública. Não tenho vínculo com a empresa. Apenas um dos sócios é meu amigo. Ela contribuiu sem pensar em obter algo em troca", declarou.Arlindo Damian, sócio da Pauta Equipamentos, criticou a metodologia da CGU para inserir sua empresa na lista de inidôneas. "Estranhamos a situação da empresa lá. Vamos esperar para janeiro e fevereiro para retirar o nome", avisou. Segundo Damian, trata-se de um contrato de prestação de serviços, vencido pela Pauta, de manutenção de equipamentos de informática. "Eram R$ 11 mil por mês em 2 anos, para três técnicos fazerem manutenção no poder Judiciário", explicou. "O concorrente entrou com liminar reclamando por preço inexequível." Ainda de acordo com Damian, "a questão de doação é porque a gente simpatiza com alguns candidatos, que a gente acredita nas pessoas. Não existe essa relação direta", explicou.As demais empresas e candidatos não foram encontradas pela reportagem.

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