Empresários criticam a CPMF antes da reunião com Lula

Lula pedirá apoio dos 100 maiores executivos ao imposto sob argumento de que corte afetaria economia

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

24 Outubro 2007 | 11h16

Começou no final da manhã desta quarta-feira, 24, no Palácio do Planalto, a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os 100 maiores empresários do País. Ao entrarem no Palácio, empresários reclamaram da carga tributária e pediram redução gradual da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).    "É preciso corrigir a carga tributária. Em outros países, a carga não chega a 30% (do PIB). O importante é acharmos um caminho para a CPMF. Como a economia está crescendo, o momento é oportuno para uma redução gradual da alíquota", disse o presidente do grupo de siderurgia Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, que qualificou a CPMF de "imposto ruim".   Veja também:  Lula inicia ofensiva pessoal para aprovar CPMF  Entenda a cobrança da CPMF    O presidente da petroquímica Braskem, José Carlos Grubisich, disse, ao chegar ao Planalto, que a iniciativa privada quer discutir com o presidente Lula não apenas a redução da alíquota da CPMF, mas também de outros tributos. Já Alfredo Setúbal, vice-presidente do Banco Itaú, afirmou que a redução da alíquota da CPMF deveria começar em 2008: "O ideal é uma redução gradual, porque a CPMF é um imposto que tem efeito em cadeia."    Setúbal disse que não vê a valorização do câmbio como um problema mais sério. "Trata-se de um problema de alguns setores determinados." Setúbal previu que a queda da taxa básica de juros neste ano pode chegar a 10% e que o crescimento do País pode alcançar 5%.    O presidente da produtora de alumínio Alcoa, Franklin Feder, disse que, na reunião com o presidente Lula, poderão ser discutidas outras questões, como a reforma previdenciária e a reforma política. Segundo Feder, essas são questões não só para a iniciativa privada, mas para o País como um todo. O presidente do grupo de varejo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, disse apenas que foi convidado para a reunião pelo presidente e estava disposto a ouvi-lo.   Lula vai pedir aos empresários que não façam campanha contra a aprovação da CPMF. Mas evitará falar que, se a contribuição não for prorrogada, terá de cancelar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com isso, evitará que o argumento seja rebatido, visto que dos R$ 503,9 bilhões previstos para o PAC até 2010, R$ 436,1 bilhões são privados e apenas R$ 67,8 bilhões são do governo federal.   De acordo com o Palácio do Planalto, Lula pretende dizer que a inflação está controlada, que até o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 5% anuais para o Brasil e a economia vai bem. Portanto, acabar com a CPMF de uma vez poderia afetar a economia, principalmente o setor de saúde - para o qual a CPMF destina, hoje, cerca de R$ 21 bilhões e, se houver aumento do porcentual, esse dinheiro poderia passar para quase R$ 30 bilhões.   O presidente pretende dizer que, no exterior, há grande entusiasmo quando se fala em investimentos no País. Lula avalia que os empresários exageram nas críticas aos juros, à carga tributária e às condições de investimentos.   Na saída da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), onde havia participado nesta manhã da abertura do seminário "Da Burocracia à Corrupção", o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou que o governo está buscando o diálogo para a renovação da CPMF, mas ponderou que, ao mesmo tempo que se discute a renovação do tributo, o Congresso também debate o aumento de recursos para a Saúde por meio da regulamentação da emenda constitucional nº 29.   "Precisamos decidir isso. O aumento das despesas é incompatível com a redução de receitas, pelo menos no nível que foi colocado por alguns", afirmou Bernardo, que, no entanto, aposta em um acordo com a oposição.  

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