Empresários cobram Aldo Rebelo por absolvição de mensaleiros

O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi cobrado nesta quinta-feira por 252 empresários pesos pesados do setor produtivo nacional, pela absolvição em Plenário de deputados envolvidos no esquema do "mensalão", em um processo de desrespeito à opinião pública que, segundo eles, foi simbolizado pela "dança da pizza", protagonizada pela deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP), na sessão que absolveu o deputado João Magno (PT-MG).Os empresários queixaram-se também dos parlamentares que financiaram a campanha eleitoral com dinheiro de caixa 2, observando que tal prática representava um mau exemplo para a comunidade empresarial do País que atua na formalidade e recolhe impostos.JustificativasAcuado, Aldo afirmou que o problema de desvios de conduta dos parlamentares vem de longa data, com mais de 20 cassações, em média, por legislatura, e que, ao contrário de outras instituições, a Câmara tem se pautado pela rapidez e pela transparência. "Nenhuma instituição julga com mais rapidez e transparência do que a Câmara dos Deputados. Nenhum órgão faz um julgamento interno de forma tão transparente", rebateu, durante debate, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em um hotel da capital paulista.Aldo admitiu que "os julgamentos internos são difíceis em todas as corporações" e, por isso, ele reconhece que, se o plenário da Câmara não foi devidamente justo nos julgamentos, caberá ao eleitor decidir na eleição deste ano. "O eleitor pode ter o próprio rigor que a Câmara dos Deputados não teve, se essa for a avaliação", estimou.Ele argumentou que a Câmara puniu com a cassação parlamentares que obtiveram mais de 500 mil votos nas urnas. E, além disso, tem feito repreensões em investigações na Corregedoria e no Conselho de Ética. A própria deputada Angela Guadagnin, lembrou Aldo, teve uma representação registrada na Mesa Diretora da Câmara, o que seria, segundo ele, uma tentativa de os parlamentares corrigirem erros internos. "A mensagem que deixo para os empresários é de não descrer na democracia e nem do regime representativo", pediu.Perda de eixosA insatisfação das lideranças empresariais pôde ser, entretanto, identificada pela pesquisa realizada pelo Lide, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, realizada simultaneamente ao evento, na qual os executivos deram nota de 1,4 à eficiência gerencial da Câmara dos Deputados, qualificando-a como "péssima"."Querer brigar com os resultados é o mesmo que um técnico brigar com a torcida. Temos que colher os julgamentos e fazer o melhor para aperfeiçoar a Câmara", disse Aldo, ressalvando, em seguida, que isso "não significa que todas as críticas estejam corretas".Ainda ao comentar os efeitos da crise política, o presidente da Câmara avaliou que o País vive um momento de "dispersão e perda de eixos", típico de períodos eleitorais, e que caberá às forças políticas e também aos agentes da sociedade civil estabelecerem projetos de coesão para garantirem o crescimento econômico do País.

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