Empresários brasileiros avançam na Argentina, diz 'Clarín'

Depois de fincar pé em várias indústrias, empresários estão de olho nas tecelagens.

Da BBC Brasil, BBC

05 de setembro de 2008 | 07h30

Em reportagem publicada nesta sexta-feira, o diário argentino Clarín destaca, em seu caderno de economia, os investimentos brasileiros no país.Segundo o jornal, "o avanço das empresas brasileiras sobre os principais setores da economia argentina não se detém", e a missão de empresários que acompanhou o presidente Luís Inácio Lula da Silva em sua última viagem ao país retornou ao Brasil com novas idéias e objetivos estratégicos."Depois de comprar os grandes nomes do petróleo, siderurgia, frigoríficos, bebidas, calçados, roupas e materiais de construção, os próximos desembarques (na Argentina) serão nas tecelagens", diz o Clarín, citando os investimentos do grupo Bom Retiro."Além disso, se sabe que os brasileiros estão assumindo posições minoritárias em alguns moinhos, mas não são dados nomes."A reportagem afirma ainda que há empresários brasileiros de olho em processadoras de couro que, atualmente, estariam em mãos mexicanas. "Os empresários, tanto locais como brasileiros, e os economistas ressaltam que o gigante do Mercosul continua atento àqueles setores em que se pode obter matérias-primas com custos competitivos em termos internacionais, mas que também tenham um mercado local robusto."As tecelagens argentinas, segundo o jornal, têm vendas anuais de mais de US$ 1 bilhão."Diferentemente dos empresários da Europa e dos Estados Unidos, que se assustam com a instabilidade política e as mudanças dos ciclos econômicos da Argentina, os brasileiros parecem estar mais preparados para agüentar os contratempos", afirma o jornal, que ouviu de empresários brasileiros que eles estão acostumados a ver a passagem de diferentes processos econômicos e políticos seguidos de crescimento."Há três anos, o crescimento econômico do Brasil era inferior ao da Argentina. Mas os empresários de Lula souberam esperar por tempos melhores", afirma o Clarín.O jornal comenta ainda que, apesar da invasão brasileira na Argentina, a recíproca não é verdadeira. "Com financiamento de seus bancos estatais, um mercado interno enorme que ajuda a projetar escalas imensas (fabricar maior quantidade de unidades permite baixar os custos industriais) e uma vocação por seguir fincando bandeirinhas em todo o Cone Sul, os brasileiros ficam com as empresas argentinas, mas aos rio-platenses custa ir mais além das cataratas", afirmam.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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