Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Empresários, artistas e esportistas decidem entrar na política e disputar votos em 2018

Participação tem se dado através de movimentos cívicos, ONGs e de grupos que se organizam em torno de ideias e ideais

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2017 | 03h00

A política não é mais um problema dos outros. Ao invés do cansaço e da letargia, a crise ética que se faz interminável no universo político nacional criou um ambiente de mais participação e engajamento na sociedade. Empresários, artistas, esportistas e mesmo o cidadão comum parecem mais dispostos a seguirem um velho conselho: faça você mesmo. 

Esse engajamento que, sim, passa pela política, não necessariamente está vinculado a um desdobramento partidário ou eleitoral, mas, principalmente, a formas de pressão e de ação. Essa participação tem se dado através de movimentos cívicos, ONGs e de grupos que se organizam em torno de ideias e ideais. 

Veja o emblemático caso da produtora e atriz Paula Lavigne – que tem usado o seu poder de articulação para reunir artistas em torno das mais diversas causas. Em 2017, ela criou o movimento 342 Agora – que atuou a favor da denúncia contra o presidente Michel Temer e pela preservação da Amazônia. 

A produtora nega que pretenda ter uma carreira eleitoral, mas não renega a política. “Há uma grande desilusão com a classe política brasileira. Os brasileiros se sentem cada vez menos representada por eles. O 342 e outros movimentos têm debatido a proposta de realizar uma convenção aberta, democrática, popular, reunindo coletivos e indivíduos que buscam um novo momento da política. Creio que desse movimento surgirão nomes novos”, disse.

O chamado para o engajamento pode vir de diversas formas. No caso da administradora de empresas Patrícia Ellen, ex-sócia da McKinsey & Company e cofundadora do movimento Agora! foi a força da própria história, de alguém que nasceu na periferia, filha de feirantes e que alcançou, entre outras coisas, um mestrado em Harvard. “Para que qualquer mudança se concretize é preciso que a gente se envolva. É preciso sair do sofá, deixar de apenas reclamar e começar a mudança”, disse. 

Essa é a mesma linha do empresário Eduardo Mufarej, cofundador do RenovarBr, grupo que tem se empenhado em criar condições (financeiras, inclusive) para o aparecimento do novo na política. “Estamos passando por um processo muito importante de tomada de consciência. As nossas decisões e escolhas não estão nos levando para o lugar em que gostaríamos de estar. Chegamos num ponto onde não há escolha: a construção de um país diferente exige um novo nível de engajamento e de representação.” 

O ano que está acabando mostrou também que as pessoas estão procurando fazer “ a sua parte” dentro de suas áreas de atuação. A nadadora Joanna Maranhão, por exemplo, tem participação ativa na ONG Emancipa - onde promove aulas de natação para crianças carentes e alunos de escolas públicas. “Hoje eu entendo que essa doação, essa participação, além de ajudar o próximo, me transformou também” , diz. Joanna filiou-se ao PSOL, mas não pretende se candidatar a nenhum cargo.

Outro exemplo é o chef de cozinha Alex Atala. Sem nenhuma pretensão política-eleitoral, Atala tem atuado em causas socioambientais. “Temos uma questão pungente: como alimentar 8 bilhões de pessoas?”, alerta Atala. O chef criou o instituto Ata para fomentar a discussão e projetos voltados para a sustentabilidade, mas nega qualquer hipótese de se transformar em um político. “A minha grande vocação é ser cozinheiro. Foi por meio da cozinha que eu consegui realizar boas ações socioambientais”. 

Também com engajamento ambiental destaca-se o ator Marcos Palmeira, que atua na ONG Uma Gota no Oceano e tem proximidade da Rede e de sua fundadora Marina Silva. “A gente ainda está procurando um político que diga o que nós devemos fazer. Precisamos abrir a cabeça e quebrar essa polarização”, disse.

Ligado à Frente Favela Brasil, movimento que pretende lançar candidatos na próxima eleição através de partidos já constituídos, Rappin Hood diz que o hip hop sempre foi engajado e que, talvez, agora seja a hora de fazer política de forma mais efetiva ainda. “As pessoas precisam se reconhecer nos seus representantes. Uma renovação é isso. O eleitor saber que um semelhante seu está lá trabalhando pelo bem comum.” 

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