Empresário simula preços para fraudar licitações no Turismo, revela PF

Diálogo feito pela Operação Voucher mostra esquema de favorecimento a empresas em convênios com ONG

Leandro Colon, enviado especial de O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 12h45

MACAPÁ - Os empresários amigos do esquema de corrupção montado no Ministério do Turismo simulavam cotações de preços para fraudar as licitações. Uma gravação telefônica da Operação Voucher, da Policia Federal, feita com autorização judicial e obtida pelo Estado, mostra novos detalhes de como os empresários envolvidos no esquema agiam para fraudar os convênios com a organização não-governamental Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).

 

Num diálogo, gravado no último dia 21 de julho, Hugo Leonardo Gomes, dono de uma empresa de fachada, é procurado por um amigo, de nome Ricardo, que estava preocupado com a visita da Polícia Federal. A empresa de Ricardo foi usada para simular uma cotação de preços e favorecer a empresa de Hugo.

 

O diálogo entre os dois deixa claro que ambos conheciam o esquema de simular cotação de preços para que uma empresa de fachada fosse "contratada" e recebesse os recursos do Ibrasi. O desentendimento aparente só acontece no diálogo porque um deles, o Ricardo está com os agentes na empresa.

 

Na conversa com Hugo, Ricardo conta que está recebendo a visita da PF naquele momento e pergunta por que uma empresa dele, a R8, foi usada para simular uma cotação de preços no convênio do Ibrasi. "Porque a Polícia Federal tá aqui, querendo saber que p. é essa, que eles estão investigando um negócio, que minha empresa está sendo investigada. Que porra é essa aí?", pergunta Ricardo. E Hugo explica: "É bicho, orçamento! Tipo assim entrou eu, tu e o Guilherme e eu que ganhei".

 

Investigações. As gravações fazem parte da Operação Voucher, da Polícia Federal, que prendeu 36 pessoas suspeitas de participar de um esquema de desvio de dinheiro público. Nesta quarta-feira, 10, 18 foram liberados. Continuam presos o secretário Nacional de Políticas de Desenvolvimento para o Turismo, Colbert Martins, e o secretário-executivo do ministério, Frederico Silva Costa.

 

As investigações da PF apontam fraudes e desvios de recursos em um convênio de R$ 4,4 milhões do ministério com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestutura Sustentável (Ibrasi) para capacitação profissional no Amapá.

Tudo o que sabemos sobre:
VoucherTurismofraudesIbrasi

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.