Empresário que contraria Lupi pode depor na Câmara

Em nova ofensiva, a oposição quer levar o dono da entidade Pró-Cerrado, Adair Meira, para depor na Câmara depois das declarações do empresário que comprometem a versão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre a viagem oficial ao Maranhão em dezembro de 2009.

DENISE MADUEÑO, Agência Estado

15 de novembro de 2011 | 18h54

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Meira desmentiu o depoimento de Lupi aos deputados, na semana passada e confirmou que compartilhou e providenciou o voo no avião King Air que transportou Lupi pelo interior do Estado. A empresa de táxi aéreo que serviu ao ministro é de Goiânia, mesma cidade da ONG Pró-Cerrado.

A entidade foi beneficiada com R$ 13,98 milhões em convênios assinados desde 2008 com a pasta comandada por Lupi.

O requerimento do DEM também pede o depoimento do ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do ministério Ezequiel Nascimento, quem primeiro confirmou que o empresário viajara com o ministro para promover um programa de qualificação profissional. Com os depoimentos, a oposição pretende tornar oficial a mentira do ministro para convocá-lo à depor novamente.

"Ele mentiu à Câmara. A essa altura não temos de dar a ele a faculdade de ir ou não. Ele tem de ser convocado dessa vez e não convidado", disse o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Na semana passada, o líder havia considerado precipitada a presença de Lupi na Câmara. Na ocasião, Lupi disse que não conhecia Adair Meira e que nunca tinha compartilhado com o empresário nenhum voo. "Era preciso colher mais informações e estamos vendo, de fato, que o ministro tem muito ainda a se explicar no Congresso", afirmou ACM Neto. Os requerimentos devem ser apresentados amanhã na Comissão de Fiscalização e Controle.

Paralelamente, o PPS pregou a demissão de Lupi e a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de corrupção envolvendo ministérios do governo Dilma Rousseff. O líder do partido na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou que a permanência de Lupi no cargo se tornou insustentável. "A história se repete mais uma vez. Precisamos criar logo a CPI da Corrupção para investigar os escândalos que assolam esse governo e buscar o dinheiro público desviado", argumentou.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), afirmou que Dilma é "complacente" com os esquemas de corrupção. "A convulsão em que se encontra o Ministério do Trabalho é impressionante. Houve até deboche de ministro. Dilma está sendo conivente com tudo isso. Ela é a verdadeira responsável. Queremos investigações", disse Freire.

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