Empresário preso com euros na cueca é denunciado

O Ministério Público Federal em Guarulhos (SP) denunciou na última sexta-feira à 5ª Vara Federal da cidade o empresário Enivaldo Quadrado, réu do mensalão, por falsidade ideológica. Quadrado foi preso em flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto de Cumbica, dia 6 de dezembro, com 361.445 (R$ 1,16 milhão) não declarados à Receita Federal. O dinheiro estava dividido entre sua mala, roupas, meias e cueca.O despacho, do procurador Vicente Mandetta, ressalta que o crime de Quadrado é incontestável. Relatos de agentes federais que efetuavam revista no aeroporto indicam que, ao desembarcar, o empresário "omitiu intencionalmente" o valor que deveria ter declarado ao preencher formulário da Receita. Segundo a PF, inicialmente ele negou ter dinheiro em seu poder. Em seguida, após ter sido descoberto, disse ter 300 mil, quantia ainda incorreta.A procuradoria agora quer apurar a origem do valor, além de possíveis crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Para isso, Mandetta requereu a remessa de cópia do inquérito policial para as Varas Especializadas em Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, em São Paulo, onde será dado prosseguimento ao caso.A acusação contra Quadrado chegará ainda às mãos do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, responsável pela denúncia que originou o processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário é um dos 40 réus da ação, ao lado do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do publicitário Marcos Valério, de deputados e ex-deputados. Ele é citado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A corretora Bônus Banval, da qual era diretor, teria repassado dinheiro oriundo do chamado valerioduto a petistas e aliados.Quadrado permanece preso desde o flagrante no cadeião de Pinheiros, em São Paulo. Teve dois pedidos de liberdade provisória negados. Seu defensor, o criminalista Antonio Sérgio Pitombo, não comenta o caso com a imprensa. Em sua única manifestação, avisou que "há imprecisões e incoerências que precisam ser devidamente esclarecidas". Caso o empresário seja condenado pelo crime de falsidade ideológica, a pena é de 1 a 5 anos de prisão.

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