GABRIELA BILO/ ESTADÃO
GABRIELA BILO/ ESTADÃO

Empresário ligado a Osmar Terra deu apoio a ato pró-Bolsonaro em Brasília

O empresário Sérgio Mário Gabardo, dono da transportadora, doou R$ 25 mil para a campanha do deputado federal Osmar Terra, cotado para a Saúde

Patrik Camporez e Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 19h09

BRASÍLIA – A carreata em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, realizada no domingo, 17, em Brasília, teve como principal organizador um sindicato de caminhoneiros. A entidade enviou 35 caminhões de Anápolis, em Goiás, para a manifestação, alguns deles registrados em nome da Transportes Gabardo, empresa com sede no Rio Grande do Sul. A Polícia Civil não informa quantas pessoas participaram da manifestação, visivelmente esvaziada.

O empresário Sérgio Mário Gabardo, dono da transportadora que leva o seu sobrenome, afirmou ao Estadão que a iniciativa da carreata partiu do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Veículos de Goiás (Sintrave-GO) e que os caminhões pertencem aos próprios motoristas. “Eu não posso impedir. Não mando no presidente do sindicato”, afirmou Gabbardo. Ao menos dois dos veículos que estiveram no ato de domingo, porém, estão em nome da sua empresa, de acordo com informações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul.

Gabardo nega ser “bolsonarista”, mas disse apoiar o discurso do presidente pelo fim de medidas de isolamento social durante a pandemia de coronavírus para evitar o impacto na economia. Ele admite ter sido consultado sobre a participação dos motoristas no ato de domingo e que sua única recomendação foi de não prejudicarem a imagem da empresa, sob pena de terem contratos cancelados.

“Pediram para mim e eu dei o ‘ok’, desde que fosse manifestação ordeira. Concordo que precisamos trabalhar. Precisamos nos preocupar com a doença, é importante se cuidar, mas acho que precisamos trabalhar. Eu e os carreteiros temos muitas prestações para pagar”, afirmou o empresário.

Os caminhões carregavam a marca da transportadora nas portas. Cada um deles foi ornamentado com faixas padronizadas, com dizeres como “parabéns pelo novo ministro da Justiça”, “nossa bandeira jamais será vermelha” e “só queremos viajar e trabalhar”.

Sob o governo Bolsonaro, a empresa já prestou serviços ao Exército, em 2019, em pelo menos duas ocasiões, em contratos que somam R$ 40 mil. Foram transportes de encomendas para a 3º Divisão do Exército, no Rio Grande do Sul, pagos pelo Ministério da Defesa.

Outra empresa em que Gabardo é sócio, a RG Log Logística, também fez negócios com o governo que somam R$ 3,7 milhões, mas referente a contratos assinados em gestões passadas. Os ministros Augusto Heleno (GSI), Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Relações Institucionais), todos generais, participaram do ato ao lado do presidente.

Na campanha eleitoral de 2018, Gabardo doou R$ 25 mil para a campanha do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS). Aliado de Bolsonaro, Terra é contrário ao isolamento social e um dos principais defensores de medidas que contrariam o que é consenso no meio científico como estratégia de combate à propagação do novo coronavírus.

Contra o isolamento

Segundo o presidente do Sintrave-GO, Afonso Rodrigues de Carvalho, o MacGyver, a pauta do grupo que participou da carreata foi a reabertura da indústria automotiva, arrefecida pelos impactos da crise sanitária. O sindicalista afirmou que o objetivo dos caminhoneiros não era atacar o Legislativo e o Judiciário, temas que também estavam presentes no ato de ontem.

“Estamos há dois meses parados e somos da mesma linha do presidente: tem que isolar as pessoas do grupo de risco”, afirmou o sindicalista. “Não fomos protestar contra STF e Congresso, não fomos denegrir ninguém. Tinha lá um caminhão com boneco do Rodrigo Maia, mas não tinha a ver com a gente.” MacGyver preside o sindicato desde 2002. A entidade absorveu funcionários da Transportes Gabardo e os transformou em prestadores de serviços para a mesma empresa.

TV ESTADÃO: ‘Povo quer liberdade’, diz Bolsonaro

No início do mês, o Estadão revelou que a manifestação antidemocrática realizada no dia 3 de maio, também em Brasília, teve ajuda do empresário Luís Felipe Belmonte, dirigente do Aliança Pelo Brasil. As ações foram centralizadas pela Organização Nacional dos Movimentos (ONM), que tem integrado grupos de direita. Bolsonaro tem afirmado que os atos são “espontâneos”. 

 

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