Empresário, José Alencar lutou por juros mais baixos no Brasil

Além de fundador da Coteminas, vice-presidente foi senador e presidente de entidades empresariais

estadão.com.br

29 de março de 2011 | 15h16

Peça fundamental da aliança que elegeu Lula em 2002, José Alencar Gomes da Silva, morto nesta terça-feira, 29, foi uma das poucas vozes do governo a pedir a redução dos juros durante o primeiro mandato do presidente Lula. Nascido em Muriaé, Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931, além de político, foi também empresário do setor têxtil. Antes de tornar-se vice-presidente, em 2003, foi senador por Minas Gerais.

 

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especialESPECIAL: A trajetória de José Alencar

 

Alencar começou sua vida política como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Em 1994, Alencar candidatou-se às eleições para o Governo de Minas e disputou, em 1998, uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. Em 1967, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Atualmente, são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e Mercosul.

 

Em 2003, elegeu-se vice na chapa do candidato do PT. Com a reeleição de Lula, Alencar continuou no o cargo de vice-presidente até o dia de sua morte.No começo de seu mandato, era voz dissonante da política econômica do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Alencar defendia uma interferência política nas decisões econômicas do governo, principalmente em relação aos até então elevados juros praticados pelo banco central. Já o ex-ministro da Fazenda dizia que não deveria haver critérios políticos para as decisões do Banco Central.

 

Em 2008, Alencar chegou a dizer em entrevista que as elevadas taxas de juros impediam o governo de fazer um efetivo corte de gastos públicos. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria mais musculatura para enfrentar a turbulência global e poderia ter economizado cerca de R$ 300 bilhões se nos primeiros quatro anos não tivesse adotado uma política monetária "equivocada".

 

Em 2004, acumulou a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa, onde ficou até 2006 a pedido do presidente.

 

 

Saúde. Alencar começou sua luta contra o câncer em 1997. Passou por 15 cirurgias para combater a doença, que já teve na próstata e depois no abdômen.

 

Só em 2009, o então vice-presidente do Brasil operou três vezes. Em janeiro, retirou um tumor de aproximadamente 10 centímetros das costas e mais dez tumores menores localizados em volta de seu abdômen, numa operação que durou 17 horas.

 

No mês de julho do mesmo ano, Alencar passou por duas cirurgias. A primeira no dia 9 daquele mês, quando o vice-presidente foi submetido a um procedimento no qual foram retirados tumores para a desobstrução de seu intestino, e no dia 24, quando Alencar passou por uma colostomia, operação na qual se faz uma abertura no abdômen para a drenagem das fezes.

 

Também em 2009, Alencar participou de um tratamento experimental contra o câncer no centro MD Anderson, em Houston, nos Estados Unidos. O tratamento não trouxe resultados efetivos, o que fez a equipe médica do vice-presidente optar pelas opções tradicionais para o combate ao câncer.

 

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