Empresário gaúcho alega ter sido ingênuo

RGN emprestou nome para outro empreiteiro disputar licitação em 1995

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

No único envolvimento que teve com o setor público em sua história, a RGN Engenharia Indústria e Comércio acabou na condição de "inidônea" para participar de licitações na esfera federal até julho de 2008. Mas o castigo - para o que a empresa alega ter sido resultado de ingenuidade - não tem resultado prático. A RGN garante que não presta serviços para o governo e nunca entrou em concorrências públicas. A empresa conta boa reputação na área privada, segundo fontes do mercado ouvidas pelo Estado.A RGN tem cerca de 70 funcionários e executa projetos de instalações elétricas, hidrossanitárias e de prevenção contra incêndios para indústrias. Seus clientes estão exclusivamente na iniciativa privada e quase todos no Rio Grande do Sul.Mesmo assim, a declaração de inidoneidade deixa o sócio-diretor da RGN Rogério Kruse constrangido a ponto de evitar o assunto. Ao recusar o pedido de entrevista, apenas disse que foi envolvido ingenuamente e não quer trabalhar com "essa gente" da área pública.A declaração de inidoneidade foi emitida pelo TCU em 2000. Os oito ministros presentes à sessão de 26 de julho daquele ano entenderam que Kruse, como representante da empresa, participou de licitação fraudulenta para a reforma de um prédio do INSS que seria cedido à Delegacia Regional do Trabalho de Uruguaiana, em 1995.A licitação foi elaborada à época em que a DRT era dirigida por Gilmar José Pedruzzi e o tribunal concluiu que foi preparada para a RGN ganhar. A empresa, contudo, não era a concorrente de fato - estava emprestando o nome e sua documentação regular para o empreiteiro João Lara, conhecido de Pedruzzi. Lara estava constituindo empresa e ainda não dispunha dos documentos necessários, mas é quem executaria a obra. A operação não foi concluída, mas o TCU achou as justificativas insuficientes para descaracterizar a participação consciente de Kruse na fraude.

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