Empresário diz ser 'conveniente' fazer doações a campanha

Executivo de empresa investigada na Operação Lava Jato nega relação entre contribuição a 12 partidos e contratos com a Petrobrás

Fábio Fabrini e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2014 | 14h08

Brasília - O executivo da empresa Toyo Setal Julio Gerin de Almeida Camargo diz ter feito doações de R$ 4,25 milhões por “conveniência”. Em depoimento prestado à Polícia Federal no dia 31 de outubro, Camargo negou que as doações feitas a doze siglas tenham sido motivadas pelo pagamento de propina. Segundo ele, todos os repasses foram feitos oficialmente e “dentro dos limites previstos por lei”.

Indagado sobre o motivo pelo qual fez doações nos anos de 2008, 2010 e 2012, ele afirma que algumas foram solicitadas por alguns candidatos e outras pelos próprios partidos. Ele disse ainda que “entendeu ser conveniente contribuir”, sem detalhar o por quê. Camargo acrescentou que alguns casos foram motivados por “amizade”, caso dos senadores Delcídio Amaral (PT) e Romeu Tuma (PTB), que receberam R$ 450 mil e R$ 100 mil, respectivamente, na campanha de 2010.

Camargo disse ainda que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi um dos que mais recebeu doações, R$ 2,65 milhões dos R$ 4,25 milhões doados entre 2008 e 2012. Além do PT, comitês finaceiros e políticos do PTB, PRTB, PSDB, PR, PV, PSDB, PMDB, PPS, PSL, PTN e PP receberam doações. O executivo disse ainda não houve doações motivadas por contratos firmados no âmbito da Petrobrás, nem de empresas ou consórcios de empresas dos quais ele participou e recebeu comissões.

Lava-Jato — O depoimento foi prestrado após Camargo ter fechado em outubro um acordo de delação com o Ministério Público Federal no âmbito das investigações da Operação Lava-Jato. A própria Toyo Setal também firmou acordo de leninência com o MPF para contribuir com as investigações a fim de desmontar um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás.

 

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