Empresário diz que vendeu à Planam o carro usado por Magno Malta

O senador Demóstenes Torres (PFL), relator do processo em andamento no Conselho de Ética do Senado contra o senador Magno Malta (PL-ES), acusado de participar da máfia dos sanguessugas, tomou na manhã desta quinta-feira o depoimento do empresário Valcir Piran, dono de uma empresa de factoring, que afirma ter vendido a Darcy Vedoin, dono da Planam, o veículo que passou a ser utilizado pelo senador. A Planam é considerada a principal empresa do esquema da máfia dos sanguessugas, que vendia ambulâncias a preços superfaturados para prefeituras que pagavam com recursos de emendas de parlamentares ao Orçamento da União. A van teria sido doada a Magno Malta, que a utilizava para transportar sua banda gospel. Piran disse aos integrantes do Conselho de Ética que vendeu o carro à Planam e não ao deputado Lino Rossi (PP-MT), como este chegou a declarar ao Conselho.Para Demóstenes Torres, a afirmação de Piran confirma o que Darcy Vedoin já disse em depoimento à Polícia Federal. Segundo o relator, a dificuldade no esclarecimento do caso exigirá mais tempo de investigação. Torres disse que pesa a favor de Magno Malta o fato de ele não ter apresentado nenhuma emenda ao Orçamento para compra de ambulâncias.O relator adiou para o final deste mês o depoimento de Magno Malta. Ele espera receber de Piran, até o final de outubro, um cheque de R$ 50 mil com o qual a Planam teria pago a empresa de factoring pelo carro.AssessorO Conselho de Ética também tomou o depoimento de Wylerson Moreira Costa, assessor do deputado Lino Rossi (PP-MT) e apontado como participante do processo de compra do carro da empresa Planam cedido ao senador Magno Malta (PL-ES). Até por volta do meio-dia, Wylerson passou aos integrantes do Conselho poucas informações. Ele disse que, em sua atuação no episódio, se limitou a receber ordens de Rossi. Demóstenes lembrou que Rossi, quando prestou depoimento, em setembro, apresentou três explicações para o fato de Malta ter recebido um carro da Planam, mas nenhuma delas pareceu consistente. Primeiro, ele disse que o veículo tinha sido emprestado; depois, afirmou que se tratava de uma doação ao senador; e, por fim, disse que o carro era dele próprio. Resposta do senadorA Assessoria de Imprensa do senador Magno Malta (PL-ES) afirmou, no final da tarde desta quinta-feira, que o parlamentar não é acusado de participação na máfia dos sanguessugas e, sim, "suspeito" de envolvimento. Segundo o relator do caso, Demóstenes Torres (PFL-GO), Magno Malta é "um dos três senadores investigados pelo Conselho de Ética porque tiveram os nomes citados no relatório parcial da CPI Mista dos Sanguessugas como possíveis envolvidos na chamada máfia das ambulâncias superfaturadas." De acordo com Demóstenes, os depoimentos prestados ao Conselho nesta quinta-feira reforçam a declaração feita à CPI pelo empresário Luiz Antonio Vedoin de que o veículo entregue ao senador Malta era de propriedade da Planam, empresa acusada de organizar a máfia das ambulâncias.A Assessoria de Malta disse também que a van utilizada pelo senador não foi "doada" e sim "emprestada" a ele. Quanto ao assessor do deputado Lino Rossi (PP-MT), Wylerson Moreira Costa, que prestou depoimento hoje no Conselho de Ética do Senado, a Assessoria de Malta afirmou que ele não é apontado como participante do processo de compra da van, mas que ele "teria participado do empréstimo" do veículo ao senador. Este texto foi alterado às 20h51 para correção de informação.

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