Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Empresário diz que loja de chocolates de Flávio Bolsonaro fraudava notas fiscais

Franquia vendia produtos abaixo do preço tabelado, segundo denúncia revelada pelo 'Jornal Nacional'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 12h46

O empresário que vendeu ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) uma loja de chocolates da franquia Kopenhagen afirmou, em depoimento ao Ministério Público do Rio (MP-RJ), que sofreu ameaças ao tentar denunciar que a unidade do filho do presidente Jair Bolsonaro fraudava notas fiscais. A informação foi revelada nesta quinta-feira, 13, pelo Jornal Nacional, que teve acesso ao documento. 

De acordo com o depoimento de Cristiano Correia Souza e Silva, a unidade da franquia pertencente a Flávio, localizada em um shopping na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, vendeu  produtos por um valor menor do que o preço tabelado pela marca. Panetones, por exemplo, que deveriam custar R$ 100, foram vendidos por R$ 80 no Natal de 2016. 

Cristiano denunciou a prática à matriz, que, segundo ele, realizou um procedimento de fiscalização, no qual constatou que as notas fiscais eram emitidas com o preço cheio, mas o cliente pagava um valor menor do que o registrado.

Procurado pelo Estadão, o grupo CRM, detentor da marca Kopenhagen, confirmou que a unidade sofreu advertência e multa pela infração contratual.  “O Grupo CRM apurou o caso e, tendo constatado por meio da sua Diretora Comercial à época, que de fato a loja estava praticando uma promoção não autorizada, o franqueado foi imediatamente notificado, advertido e multado de acordo com as cláusulas previstas em contrato”, disse o grupo.  

Após denunciar o caso, Cristiano Correia Souza e Silva relatou que ele e sua mulher sofreram ameaças do sócio de Flávio Bolsonaro na unidade, Alexandre Santini, por meio de mensagens, segundo mostrou a reportagem do Jornal Nacional.  Ele afirmou ao MP que registrou ocorrência policial, mas deixou o caso de lado por medo. 

A loja de Flávio é alvo de investigação de lavagem de dinheiro. Uma das hipóteses em apuração pelo Ministério Público é de que a franquia no shopping tenha sido usada para lavar recursos públicos ilegalmente desviados no suposto esquema de  “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Documentos obtidos pelo MP também mostram que a loja recebia mais dinheiro vivo que a média das franqueadas. 

O Estadão procurou Flávio Bolsonaro por meio de sua assessoria de imprensa. O senador não negou as acusações nem forneceu explicações sobre os motivos que teriam levado sua loja a fraudar as notas fiscais emitidas. Flávio falou em “alucinação de alguns promotores do Rio em persegui-lo”, e disse que, “com isso, buscam atacar sua imagem pública, uma vez que, processualmente, não há nada mais que eles possam fazer.”

O senador disse ainda esperar que o procurador-geral de Justiça do MP/RJ, Eduardo Gussem, “não prevarique e instaure, imediatamente, procedimento para apurar conduta criminosa desses pouco promotores de injustiça por violação de sigilo profissional, uma vez que o processo deveria correr em segredo de justiça, mas é insistentemente, trazido a público, inviabilizando a defesa do Senador dentro do devido processo legal e do contraditório”.

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