Empresário desmente doação para governador do ES

A empresa paulista Unidade Técnica de Engenharia e Construção vai entrar na Justiça contra o governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido). Um dos donos da empresa, Carlos Ernesto Campos, nega ter doado R$ 500 mil, como consta na prestação de contas de campanha do governador. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) investiga a possível falsificação da declaração do documento de doação dos R$ 500 mil. O dinheiro, segundo Campos, não foi transferido pela empresa e nem por pessoa física, como afirmou a assessoria do governador. "Vamos acioná-los na Justiça. Eles estão atribuindo ao meu cliente algo que ele não fez", disse o advogado da Unitec, Jairo Fonseca. Ontem, Marcelo Campos, irmão de Carlos Ernesto e que também é sócio da empresa, foi a Vitória para conversar com os delegados da Polícia Federal que investigam o caso, a pedido do STJ. A um dos delegados de plantão, Marcelo voltou a negar que sua empresa tenha feito doações para a campanha de Ferreira. Segundo informações obtidas pelo Estado, os R$ 500 mil que foram transferidos para a conta do então candidato ao governo estadual podem ter sido enviados por seu caixa de campanha, Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené. O STJ não confirma nem desmente a informação, alegando que a investigação é sigilosa. Bené teria depositado os R$ 500 mil para cobrir rombos na conta de campanha de Ferreira. A declaração da Unitec teria sido usada para cumprir com as regras do Tribunal Regional Eleitoral. O governador é investigado pelo STJ por crimes eleitorais, entre eles o de criar um "caixa dois" para sua campanha. O inquérito também apura a relação do governador com o esquema de cobrança de propinas montado por funcionários do primeiro escalão de seu governo.AssembléiaDepois de, contrariando o regimento da Casa, engavetar o processo de impeachment do governador, o presidente da Assembléia, deputado José Carlos Gratz (PFL), ameaça enviar o relatório da CPI da Propina ao Ministério Público antes mesmo de o texto ser votado em plenário. Esse pode ser mais um golpe em favor do governador, porque o relatório da CPI sugere o indiciamento de 24 funcionários do governo, mas não inclui o nome de José Ignácio Ferreira. A oposição esperava que, durante a votação, o nome de Ferreira pudesse ser incluído no relatório. Gratz disse que não serão aceitas emendas ao relatório, mas a oposição afirmou que, pelo regulamento, eles ainda podem tentar alterar o relatório. A disputa deve continuar na Justiça porque a oposição quer reverter o engavetamento do processo de impeachment.

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