Empresário confirma notas frias em obras da Água Espraiada

O empresário Ricardo Augusto da Costa, ex-proprietário da Costaço Comércio e Indústria de Ferro e Aço Ltda., confessou ter emitido R$ 8 milhões em notas fiscais frias para o esquema de caixa 2 das obras da Avenida Água Espraiada ? empreendimento da administração Paulo Maluf (PPB) que teria sido superfaturado em R$ 115 milhões.Costa procurou espontaneamente a Promotoria de Justiça da Cidadania, órgão do Ministério Público de São Paulo que investiga envolvimento de Maluf em supostos desvios de verbas de obras públicas e remessa de valores para contas bancárias na Suíça e na Ilha de Jersey.Segundo os promotores responsáveis pelo caso, o empresário quer receber os benefícios da Lei do Colarinho Branco, do Código Penal e da Lei da Improbidade, que autorizam redução de pena a quem colaborar com investigações.O relato do empresário confirma parte das denúncias do administrador Simeão Damasceno de Oliveira, ex-coordenador financeiro da Construtora Mendes Jr., que integrou o consórcio da Água Espraiada. Com base no depoimento de Simeão, o Ministério Público obteve judicialmente a quebra do sigilo bancário de 22 pessoas físicas e jurídicas, entre as quais Maluf, um filho dele, Flávio, e a própria Mendes Jr..Costa deteve 99% das cotas da empresa até 1994. ?Vendíamos ferro e aço para indústrias mecânicas e metalúrgicas?, disse. ?Os materiais vendidos pela Costaço não serviam para a construção civil, as notas emitidas em relação à Mendes Jr. se referem a materiais que não foram entregues.?O empresário afirmou que ?nunca trabalhou com os materiais descritos nas notas emitidas para a Mendes Jr.?. Ele foi taxativo: ?As notas são frias por não representarem venda efetiva de produtos.? O empresário confirmou, ainda, que devolvia à empreiteira 90% do montante que recebia pela emissão de notas.As transações teriam sido realizadas por meio da conta 16227-2 do Bradesco, agência 1415. ?A devolução era feita quase sempre no mesmo dia do recebimento do valor.? Ele disse que o esquema de emissão de notas frias lhe garantiu um total de R$ 250 mil ?livres?.O ex-prefeito nega ligações com o esquema de notas. Seu advogado, Ricardo Tosto, disse que Maluf ?não tem nada com essa história?. A Mendes Jr. afirma ser vítima de um processo de extorsão por parte de seu ex-coordenador financeiro, Simeão Damasceno, que já foi indiciado em inquérito criminal.

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