Empresário confirma negócio com senador

Barreto diz a Tuma que Renan participou de compra de rádios e jornal

Ricardo Rodrigues e Cida Fontes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O empresário Luiz Carlos Barreto confirmou ontem ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), participou da compra de duas rádios e um jornal, numa negociação secreta com o usineiro e ex-deputado João Lyra. "O empresário confirmou a presença de Renan na intermediação do negócio, mas não apresentou prova de participação do senador alagoano na suposta sociedade secreta", destacou Tuma, em Maceió.De acordo com o corregedor, Barreto - que era sócio dos veículos de comunicação - não pôde passar muitos detalhes a respeito da venda, já que não teria participado ativamente da negociação. "Ele disse que quem estava à frente das negociações era seu sócio, Nazário Pimentel, que deverá ser ouvido em Sergipe", destacou.Tuma ouvirá também o empresário Tito Uchôa, primo e assessor de Renan, acusado por Lyra de ser "laranja" do presidente do Senado na compra dos veículos de comunicação."Uchôa estava viajando, por isso não foi ouvido em Maceió, mas hoje pela manhã ele apareceu no meu gabinete em Brasília e deixou uma carta dizendo que está à minha disposição para prestar depoimento", revelou Tuma, ao deixar a sede do jornal semanário Primeira Edição. Foi ali que ouviu o depoimento de Barreto, a portas fechadas, por quase duas horas.Em Brasília, Uchôa se ofereceu para depor no Conselho de Ética e avisou que deseja ser submetido a uma acareação com Lyra. O aviso foi dado na carta que deixou no gabinete de Tuma. "Eu acho que, em princípio, o Uchôa quer admitir que é o sócio legal e legítimo. Só que ele tem de comprovar as origens do dinheiro que pagou pela aquisição do grupo de comunicação", frisou Tuma, em outra entrevista, por telefone.Na avaliação do corregedor, Uchôa quer ser ouvido em Brasília, "porque sairia fragilizado ao depor em Maceió". Mas ainda não definiu quando vai ouvi-lo: "Vou passar o final de semana analisando toda a documentação recolhida em Maceió e, na próxima segunda-feira, divulgaremos os próximos passos."DETALHESEm sua segunda entrevista, Tuma acrescentou alguns detalhes sobre o depoimento de Barreto. Segundo ele, o empresário explicou sobre o andamento do negócio e contou que Nazário propôs a Renan uma parceria, pois a empresa apresentava dificuldades financeiras, sobretudo com encargos fiscais."Depois disso, passados dois meses, o senador chamou Nazário e disse que havia um grupo interessado na aquisição do grupo de comunicação e então fizeram uma reunião para estabelecer os preços. Mas ele não participou dessa reunião", ressalvou o corregedor do Senado.Tuma informou que, de acordo com o depoimento, o valor da transação girou em torno de R$ 700 mil, além dos encargos fiscais. Indagado se o negócio poderia complicar a situação de Renan, o corregedor respondeu: "Segundo os depoimentos, Renan teria intermediado os negócios com a força financeira de Lyra e teria um representante de cada lado." BALANÇOAo concluir sua viagem, Tuma avaliou que a ida a Maceió foi positiva, mas evitou comentar se já está em posse de indícios concretos da participação de Renan na transação. Ele avisou apenas que, ainda que não encontre nenhuma prova documental, os testemunhos vão pesar no seu parecer. "O relatório final levará em consideração todas essas circunstâncias."

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