Sérgio Castro/Estadão - 10/2/09
Sérgio Castro/Estadão - 10/2/09

Empresário assume autoria de vídeo em defesa do golpe divulgado pelo Planalto

Osmar Stábile, que é conselheiro do Corinthians, negou ter relação com o Planalto:‘Cada um pensa de uma forma, se expressa de uma forma’

Paulo Beraldo e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 16h14

O empresário Osmar Stábile afirmou nesta terça-feira, 2, ter produzido o vídeo em defesa do golpe militar de 1964 que foi divulgado pelo Palácio do Planalto no dia 31 de março em memória dos 55 anos do início da ditadura militar que durou 21 anos. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Congresso em Foco. O Planalto informou que não vai se manifestar sobre o assunto. 

Questionado pelo Estado, Stábile afirmou que produz vários vídeos sobre diversos conteúdos e que alguns fazem mais ou menos sucesso. “Já fiz de apoio ao Bolsonaro, já fiz sobre o Corinthians. Cada um pensa de uma forma, se expressa de uma forma”, respondeu ele, que é conselheiro vitalício do clube paulista.

Ele negou que tenha qualquer relação com o Palácio do Planalto. “Eu nem conheço o Bolsonaro. Apoiei (o Bolsonaro) durante a eleição, evidentemente, mas era uma pessoa mandando vídeos para amigos”, disse. Ele afirma que a maior parte dos vídeos são feitos por ele mesmo ou com a ajuda de amigos. “O custo é insignificante. Não foi nada planejado (ser divulgado pelo governo), fiquei até surpreso”, afirmou. 

Stábile também divulgou uma nota oficial dizendo que é um "patriota" e entusiasta do "contragolpe preventivo" ocorrido em 1964. "Não tenho e nem tive a pretensão de mexer com os brios, dores e sentimentos daqueles que se dizem perseguidos pelas Forças do Estado naquele importante período da nossa história. Mas acredito plenamente nos esforços de nossas Forças Armadas que evitaram males políticos maiores para a nação", diz o texto.  

"Esse lado da história precisa ser conhecido pelas novas gerações! Uma só cansada narrativa que traz meias verdades ou mentiras não pode ser o único norte para um povo que necessita conhecer sua história". 

Vídeo

No material distribuído pelo Planalto no domingo, data em que o golpe de 1964 completou 55 anos, o apresentador diz que o Exército “salvou” o País. “O Exército nos salvou. O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história”, diz o apresentador do vídeo em um trecho do material.

Na segunda, o vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que a divulgação do vídeo foi “decisão do presidente” Jair Bolsonaro. “Foi divulgado pelo Planalto, é decisão dele (do presidente)”. Ao ser questionado sobre o fato de que a comunicação do Palácio não sabe dizer exatamente quem seria responsável pelo conteúdo e envio da mensagem, Mourão desconversou. “Também não sabe? Então... Eu nem vi esse vídeo”, respondeu. 

Partidos criticam

Na terça, deputados do PSOL protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da República para cobrar a apuração das responsabilidades pela produção e divulgação do vídeo. "A determinação do presidente da República para que o golpe militar de 1964 seja comemorado e a consequente divulgação do vídeo, assim como a prática de qualquer outro ato oficial no mesmo sentido, atenta contra a Constituição Federal, o ordenamento vigente e os tratados internacionais dos quais o país é signatário", diz o documento. 

Na segunda, as bancadas do PT na Câmara e no Senado entraram com pedidos na PGR, na Controladoria Geral da União (CGU) e na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão pedindo investigação sobre o vídeo. A alegação é de que haveria crime de responsabilidade pelo presidente ter usado usado de meios institucionais da Presidência para violar a Constituição. 

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