Empresário acusado de fraudar a Sudam financiou PMDB

O empresário José Soares Sobrinho, aliado do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) em Altamira, e um dos principais suspeitos de ter fraudado projetos da Sudam, foi um dos maiores financiadores do PMDB local. Em apenas uma semana Sobrinho deu R$ 50 mil na campanha política do prefeito da cidade, Domingos Juvenil, também do PMDB, no ano passado. Os valores, para os padrões locais, são considerados altos e há a suspeita de que o dinheiro seja de financiamentos da Sudam. As doações foram feitas em duas parcelas de R$ 25 mil, nos dias 8 e15 de setembro de 2000.Dois recibos em nome de José Soares Sobrinho confirmam que ele era um dos principais financiadores da campanha de Juvenil. O prefeito não informa quem fez as doações em dinheiro para o partido. Outros políticos, também ligados ao PMDB de Altamira, receberam financiamento da Sudam para projetos que também estão sendo considerados irregulares e já estão sob investigação da Polícia Federal.De acordo com investigações do Ministério Público Federal, Soares Sobrinho é procurador das empresas Frango Modelo Agropecuária Beira da Mata e Café Ouro Preto, todos suspeitas de estarem envolvidas em fraudes. Ele chegou a ser preso no mês passado, mas ficou apenas alguns dias na cadeia e foi libertado por meio de um habeas-corpus do Tribunal Regional Federal.Para policiais e procuradores que trabalham no caso, os recibos são indícios que os recursos da Sudam eram usados para manter uma "caixinha" de ajuda aos políticos de Altamira, reduto eleitoral de Jader Barbalho. Sobrinho chegou a ser fotografado almoçando em uma churrascaria da cidade com o senador. Os investigadores estão analisando se as doações feitas pelo empresário coincidiram com as liberações de recursos pela Sudam.As suspeitas aumentaram depois de descoberto outro recibo, de R$ 20 mil, em nome da Lorenzo Artefatos de Madeira Ltda, empresa que também recebeu R$ 3,5 milhões da Sudam, no ano passado. Como as empresas de Sobrinho, a Lorenzo foi investigada pelo Ministério da Integração Nacional que encontrou indícios de irregularidades. Uma delas é a contratação da construtora Star, uma microempresa que também prestou serviços para quase todos os projetos fraudados em Altamira, que recebeu R$ 1,8 milhão diretamente no caixa da agência do Banco da Amazônia (Basa) em Altamira.Até agora, 22 projetos montados em Altamira estão sendo investigados pela PF, sendo que cinco deles têm ligação direta com políticos do PMDB, inclusive com o presidente do partido na cidade, Raimundo de Souza Aguiar, sócio da Frupasa e com o secretário-geral, Waldecir Aranha Maia, um dos donos da Agropecuária Guará, além do vereador Manuel de Jesus Mansour Abucater, da Agropecuária Rio Novo de Altamira.Já o irmão de Sobrinho, o empresário Romildo Onofre, se vangloriava, em Paraíso do Tocantins (TO) sede de seus três projetos, de ser amigo de Jader. Em uma nota dirigida à imprensa Romildo isenta o senador de qualquer envolvimento com os projetos da Sudam e faz elogios ao presidente do Senado. "Nunca fui empregado ou subordinado, por qualquer forma, ao referido senador paraense, tendo-o como homem probo, inteiramente sem mácula em sua vida pública e defensor do nosso Estado e da federação", diz Romildo em seu comunicado.A nota de Romildo foi distribuída pelo gabinete da presidência do Senado, por meio de fax, no dia 8 passado. Nela, o empresário afirma que vai interpelar judicialmente - como vem fazendo Barbalho - todas as pessoas que o acusarem de irregularidades. No comunicado, ele afirma que os fatos serão esclarecidos, "fazendo vir à tona a pura verdade, não apenas provando a minha inocência, mas, igualmente a idoneidade do senador Jader Barbalho, vítima de perseguições políticas inconfessáveis."

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