Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Empresário, suplente de Delcídio é ligado a Bumlai

Filha de Pedro Chaves é casada com Fernando Bumlai, filho do pecuarista que foi preso preventivamente durante a 21ª fase da Lava Jato acusado de fraudes na compra de um navio-sonda para a Petrobrás

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2016 | 10h31

BRASÍLIA - Com a cassação do senador Delcídio Amaral (sem partido - MS), seu primeiro suplente, Pedro Chaves, é o próximo na linha sucessória para assumir o posto. Professor, Chaves fez fortuna no Mato Grosso do Sul no ramo da educação e tem ligações familiares com o pecuarista, José Carlos Bumlai, preso na investigação da operação Lava Jato um dia antes de Delcídio, em novembro do ano passado.

Chaves fez carreira na educação, como professor de economia e, mais tarde, abrindo o próprio centro de Ensino Superior em Campo Grande. Em 2007, ele vendeu seu conglomerado de universidades para o grupo Anhanguera por R$ 246 milhões. Hoje com 75 anos, o empresário entrou na política apenas em 2010 como suplente na chapa de Delcídio. Filiado ao PSC, o empresário declarou à Justiça Eleitoral patrimônio superior a R$ 69 milhões, com aplicações financeiras e diversos imóveis, entre eles dois apartamentos no Rio de Janeiro.

Em 2014, Chaves coordenou a campanha derrotada do senador Delcídio ao governo do Mato Grosso do Sul. Também foi ele quem administrou as doações à campanha de Delcídio no mesmo período. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral, R4 9,5 milhões foram doados por empreiteiras investigadas na operação Lava Jato, sendo a Odebrecht responsável pela maior doação, num total de R$ 2,9 milhões.

O empresário também contribuiu ele mesmo, como pessoa física e por meio de empresas ligadas ao seu nome, com doações de quase R$ 2 milhões para o colega em 2014.

Bumlai. Além de Delcídio, Pedro Chaves também possui ligações com outro investigado que foi preso no âmbito da Lava Jato. A filha de Chaves, Neca Chaves, é casada com Fernando Bumlai, filho do pecuarista José Carlos Bumlai, que foi preso preventivamente durante a 21ª fase da Lava Jato acusado de fraudes na compra de um navio-sonda para a Petrobrás.

À época, Bumlai foi relembrado como um dos poucos amigos próximos do ex-presidente Lula, e que teria ajudado a apresentá-lo a diferentes empresários em 2002, quando disputava a eleição presidencial. Lula negou diversas vezes que tivesse relação próxima com o pecuarista.

Bumlai estava em Brasília para prestar depoimento na CPI do BNDES quando foi preso, em novembro, e ficou hospedado no hotel Golden Tulip, onde morava Delcídio, que é amigo próximo do pecuarista. No dia da prisão de Bumlai, Delcídio disse a interlocutores que lamentava a situação e que havia conversado com os familiares do colega na véspera. O senador, entretanto, não imaginava que seria preso na mesma operação no dia seguinte.

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