Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

‘Empresariado enxerga com bons olhos o impeachment’

Presidente da Fiesp diz que fase é de consulta à base industrial, conselho e diretoria da entidade para, então, fechar questão

Entrevista com

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e filiado ao PMDB

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2015 | 03h00

Principal interlocutor do vice-presidente Michel Temer entre os empresários, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que também é um dos caciques do PMDB paulista, decidiu participar da manifestação em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff que acontece neste domingo na Avenida Paulista. 

Ele deixa claro, nesta entrevista ao Estado, que apoia com entusiasmo o movimento pelo impedimento de Dilma. “O empresariado, o mercado e a maioria da sociedade veem com bons olhos uma mudança no cenário político”, diz. 

O pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff acolhido pela Câmara tem fundamento jurídico?

Dizer que é golpe é uma apelação. O que posso dizer é que as coisas não podem continuar como estão. Há uma grave crise política e a culpa é do governo brasileiro, que perdeu a sua credibilidade. Acho muito difícil o governo resgatar a confiança da sociedade brasileira. 

Posso concluir que o sr. apoia o pedido de impeachment?

Como representante das forças produtivas, como empresário e como cidadão, eu digo que essa situação não pode continuar. A crise econômica é decorrente da crise política, que é causada pela total falta de confiança no atual governo. São dois caminhos: ou o governo resgata a sua credibilidade, o que acho impossível, ou haverá a necessidade de mudança. Essa mudança pode ser por meio do impeachment, renúncia ou outra forma. Estender essa situação vai custar muito caro para a nação brasileira. 

Os empresários veem com bons olhos a opção Temer?

O empresariado, o mercado e a maioria da sociedade enxergam com bons olhos uma mudança no cenário político. Existem caminhos legais para a opção do impeachment. O governo perdeu a noção, deixou de estar conectado com a realidade da sociedade.

O sr. estará na manifestação deste domingo na Avenida Paulista pelo impeachment?

Coincidentemente, neste domingo vamos levar nossa campanha contra o aumento de impostos e a recriação da CPMF para a Avenida Paulista. Vamos levar o nosso pato maior (símbolo da campanha) e recolher assinaturas.

Em um eventual governo Temer, o sr. continuaria defendendo a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy?

Na verdade, o governo não cortou nada de gasto. Todos os programas foram mantidos. O contingenciamento de última hora foi para fazer de conta. (O governo) reduziu oito ministérios para fazer de conta. Os anunciados cortes nos cargos comissionados não aconteceram. 

Em relação ao Levy...

Essa é uma boa pergunta para ser feita ao Michel Temer. 

Mas o sr., como presidente da Fiesp, fez uma campanha pela saída do Levy.

Se acontecer (o impeachment), os ministros serão escolhidos pelo presidente da República. A responsabilidade é dele. 

O que achou da carta enviada por Temer a Dilma?

A carta foi um movimento importante no tabuleiro político. Deu uma chacoalhada na situação. A população estava preocupada.

Sua leitura é que foi um rompimento?

Foram dois movimentos muito saudáveis: a carta e a substituição do líder do PMDB, Leonardo Picciani. Ele estava barganhando cargos no governo em um momento em que a população brasileira precisa de deputados lutando por ela. O interesse da Nação não é barganhar cargos. O ex-líder foi muito infeliz. Não tenho dúvida que esses dois movimentos foram uma sinalização de rompimento. Foi mais que apenas uma sinalização.

Quem o sr. acha que fez vazar a carta? 

Pelo que se viu nas redes sociais, a carta teve uma repercussão negativa para o Temer. Soube da carta pela imprensa e soube também que ele teria estranhado o vazamento dela. 

Governistas dizem que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estaria usando o impeachment para evitar sua cassação. Isso não contamina o processo?

Eu estranho muito as pessoas que ligam a aceitação do impeachment à credibilidade do presidente da Câmara. Ele tem a prerrogativa de analisar os pedidos que chegam. 

A Fiesp pretende se posicionar formalmente sobre o impeachment? Pretende ir para a rua institucionalmente? 

Estou consultando as bases industriais, a diretoria e o conselho. Pesquisas estão sendo feitas. Se o governo insistir e aumentar impostos e recriar a CPMF, a Fiesp irá para rua. Não faremos cerimônia em defender o melhor para o Brasil. 

O empresariado quer o impeachment?

Maciçamente, o empresariado e os setores produtivos querem mudança. 

Por mudança eu posso entender um novo governo sem a presidente Dilma?

Creio que sim. É maciço em São Paulo. O sentimento no País é de mudança. 

Aliados do governo acusam o vice-presidente Temer de estar se articulando, ou mesmo conspirando.

Quem fala em conspiração tem interesse em falar isso. São os mesmos que falam em golpe e que talvez estejam dando um golpe na Nação. Temer não tem perfil conspirador. Pelo contrário. Michel Temer escreveu aquela carta porque se aborreceu com a falta de espaço para ele e o PMDB.

 

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