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Empresária que revelou propina em SP vira 'fugitiva'

Rosângela Gabrilli, que denunciou à promotoria o esquema de propinas na administração Celso Daniel (PT) - prefeito de Santo André morto em 2002 -, vai por aí, sem rumo certo. "É cada hora em um lugar. Ando com minha malinha para um lugar e para outro." Na sexta-feira ela conversou por telefone com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, de algum ponto do País que não quis indicar. Como diz, isolou-se, "tamanha a frustração e a decepção com tudo".

AE, Agência Estado

21 de novembro de 2010 | 11h02

"Tudo", ela resume, "são as autoridades, os políticos". Exclui desse rol o Ministério Público, os promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado que a acolheram quando Celso Daniel foi eliminado. Soube da condenação de Marcos Roberto Bispo dos Santos, apontado como integrante do grupo que sequestrou e fuzilou o petista. Dezoito anos em regime fechado foi a pena que o júri popular decretou na quinta-feira para o réu, o primeiro de sete acusados.

"É um alívio, principalmente por constatar que a Justiça começou a ser feita", declarou Rosângela. "Há anos estava apreensiva por qualquer coisa que acontecesse. Quando o julgamento foi marcado minha esperança foi muito grande. Uma hora, afinal, tinha que acontecer. É uma vitória importante, mas temos outros passos pela frente."

Quando os bandidos crivaram de balas o prefeito, Rosângela criou coragem e tornou de conhecimento geral os métodos de uma organização que se apossou de setores da gestão municipal. "Uma corja de malfeitores alojada na administração petista", nas palavras do promotor Francisco Cembranelli.

O pai dela, empresário Luiz Alberto Ângelo Gabrilli, de 75 anos, é um homem doente. Praticamente perdeu a voz, e mal consegue se movimentar - consequências do trauma, sustos e desgostos. "Papai ficou assim depois que perdemos a Expresso Nova Santo André", conta Rosângela. "Foi quando meu pai caiu em si de que havia sido enganado, ludibriado por essa turma toda." Restou a Expresso Guarará, da qual Rosângela foi diretora por 16 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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