Empresária de Sto. André reclama de "represálias" da Prefeitura

A empresária Rosangela Gabrilli, importante testemunha do Ministério Público e da Justiça nas investigações sobre suposto esquema de corrupção na administração Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André morto em janeiro, denunciou nesta quinta-feira estar ?sofrendo pesadas represálias? da prefeitura.Filha do empresário Luiz Alberto Gabrilli ? diretor-presidente da Expresso Guarará, que opera 18 linhas de ônibus em regime de concessão ?, Rosangela sustenta que autoridades municipais estão conduzindo ?processo intimidatório? por meio de ?exigências absurdas?. ?Querem tomar a Guarará da minha família, o objetivo é acabar com a empresa e nos destruir?, desabafou.Para Rosangela, está em curso ?odiosa retaliação por causa das denúncias sobre arrecadação de propinas para financiamento de campanhas do PT?. A represália começou, segundo ela, com a fiscalização da prefeitura dentro da empresa, a partir de maio. ?Achei interessante a auditoria porque iria provar que estamos no vermelho por causa de invasão de nossas áreas?, disse Rosangela, referindo-se à Expresso Nova Santo André, controlada pelo empresário Ronan Maria Pinto, que estaria mantendo parte de sua frota em itinerário da Guarará.Ronan é apontado pelo Ministério Público como integrante de ?quadrilha articulada? que teria assumido a prefeitura ?em conluio? com o vereador Klinger Sousa (PT), ex-secretário de Serviços Municipais. Para participar da licitação de concessão, Ronan montou o Consórcio Sistral (Viação São Luiz e Viação Humaitá), mas ficou em segundo lugar. ?Querem abrir caminho para Ronan assumir nosso lugar.?Segundo a empresária, ?os auditores, arbitrariamente, abriram armários dos escritórios, interrogaram funcionários e exigiram microfilmes de cheques?. Em 12 de setembro, ela recebeu notificação da Empresa Pública de Transportes e Trânsito de Santo André (EPT) para ?correção das falhas e transgressões? em 15 dias e para conclusão de uma ponte na Vila Luzita no prazo de 45 dias.A auditoria indicou que a concessionária ?não mantém livros contábeis? e ?há fortes evidências? de omissão de receitas. ?Sofremos enormes prejuízos, por isso não pudemos atender exigências feitas em aditamentos?, justifica a empresária.?As obrigações estão previstas no contrato de exploração das linhas?, rebateu a prefeitura, por meio de nota. ?A EPT ampliou de 15 para 18 as linhas em acordo com a Guarará; isso ficou estabelecido em aditivo firmado em 2000, prevendo colocação de 31 ônibus convencionais novos, 12 tipo padron e 12 articulados.? Segundo a nota, ?todos os prazos foram dilatados várias vezes a pedido da empresa que, ao final, não os cumpriu.?A prefeitura rechaça a suspeita de que Ronan seria beneficiado. ?Caso haja rompimento no contrato de concessão, a EPT está obrigada por força da lei a iniciar um novo processo de licitação.?

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