Empresa sem expertise ganha contrato do Incra

BK Consultoria incluiu ‘serviços de assistência e extensão rural’ no objeto social pouco antes de fechar acordo de R$ 19,4 mi com instituto em SP

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo

01 de março de 2011 | 23h00

O governo de São Paulo decidiu contestar na Justiça o resultado de uma chamada pública realizada pela superintendência regional do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), órgão do governo federal. A chamada em questão tinha como objetivo selecionar uma empresa para prestar assistência técnica aos assentamentos da reforma agrária no Estado. Um dos principais critérios para a escolha seria a experiência no setor. Segundo o governo paulista, porém, a empresa escolhida não tem nenhuma experiência e cobra os preços mais elevados.

 

O governo paulista é representado na ação pelo Instituto de Terras do Estado (Itesp), que participou da chamada, anunciada oficialmente em setembro do ano passado. Com quase 600 técnicos e a experiência de assistência a 172 assentamentos no Estado, o Itesp apresentou ao Incra uma proposta no valor de R$ 13,4 milhões - para atender, durante um ano, um conjunto de 194 assentamentos espalhados pelo território paulista.

 

O Incra optou, porém, pela BK Consultoria e Serviços, que pediu R$ 19,4 milhões pelo mesmo serviço e foi contratada no mês passado. "Além do preço, que é R$ 6 milhões mais elevado, o que chamou nossa atenção foi o fato de a empresa escolhida não ter experiência em assistência e extensão rural", conta o diretor executivo do Itesp, Marco Pilla. "Ignoraram a expertise de quase 30 anos que temos nesta área."

 

A BK existe desde1998, oferecendo serviços de tecnologia da informação, apoio à gestão, engenharia e também serviços gerais. No dia 30 de setembro do ano passado, porém, exatamente vinte dias após o Incra ter publicado o edital com a chamada pública, seus diretores registraram na Junta Comercial do Estado uma alteração no seu objeto social. Incluíram a atividade de serviços de assistência e extensão rural.

 

Silêncio. A empresa prefere não se manifestar. Por meio da assessoria jurídica, diz que ainda não conhece o teor da ação judicial e que o Itesp, assim como qualquer grupo preterido, tem direito de contestar o resultado.

 

O superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo da Silva, diz que a empresa escolhida está registrada no Conselho Desenvolvimento da Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. "Esse registro só é concedido após o cumprimento de várias exigências, entre elas dois anos de experiência na área", diz.

 

Ele também observa que o preço do Itesp foi menor porque previa a utilização de funcionários já remunerados pelo Estado. "Isso não atende ao nosso objetivo de aumentar o número de pessoas atuando na assistência."

 

O Itesp, diz Raimundo, teria sido desclassificado por não cumprir as exigências do edital. "Não apresentou os custos como era solicitado."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.