Empresa reage e classifica ação de ''criminosa''

Em nota, Vale diz que invasão de ferrovia organizada pelo MST foi a 15.ª de que foi vítima

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 00h00

A companhia Vale reagiu ontem à ocupação da Estrada de Ferro Vitória-Minas, na zona rural de Governador Valadares (MG), que interrompeu a circulação de trens por cerca de 11 horas. "Trata-se da 15.ª invasão. A Vale reitera que considera criminosas ações dessa natureza", protestou a empresa, por meio de nota. Ela conseguiu à tarde uma liminar da Justiça de Minas determinando a reintegração de posse da ferrovia.Segundo a empresa, o protesto prejudicou o transporte ferroviário de minério de ferro e de outras cargas, além de mais de mil passageiros. Cerca de 30 composições - com 14 mil toneladas, cada - teriam deixado de circular, de acordo com informações da Vale. A Justiça Estadual havia fixado multa de R$ 30 mil por dia, em caso de descumprimento da decisão judicial.PROTESTONo centro do Rio, cerca de 500 pessoas protestaram na frente da sede nacional da Vale, de acordo com nota divulgada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Os manifestantes pediam que a empresa "garanta melhores condições de vida às comunidades onde atua"."A Vale expulsa famílias de suas casas para construir obras que não beneficiam as comunidades, gerando energia apenas para suas atividades", afirmou o integrante da Via Campesina Vanderlei Martini. "A Vale acaba de receber benefícios do BNDES de R$ 7,3 bilhões a pagar em 40 anos sob juros irrisórios, graças à sua influência política. Ao passo que um trabalhador da Vale chega a receber R$ 550, pagando seu salário em 6 horas de trabalho." ÍNDIOSSegundo o MST, índios da comunidade dos krenak, do município de Resplendor, também participaram da ocupação. "Toda a comunidade krenak local se encontra desde junho de 2007 com interdito proibitório impetrado pela Vale, em função de seguidas mobilizações realizadas por eles desde 2005. No início de 2007, eles prenderam um diretor da empresa e obtiveram como resposta um interdito proibitório que lhes impede de se aproximarem a menos de dois quilômetros de qualquer instalação ou trilhos da Vale." FRASESNota da Vale"Trata-se da 15.ª invasão. A Vale reitera que considera criminosas ações dessa natureza"Vanderlei Martini, Via Campesina"A Vale expulsa famílias de suas casas para construir obras que não beneficiam as comunidades, gerando energia apenas para suas atividades"

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