Empresa que ajuda explorar pré-sal inicia sindicância

Sete Brasil, que tem participação da Petrobrás, teve Pedro Barusco, um dos suspeitos da Lava

MÔNICA CIARELLI E ANTONIO PITA, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 20h53

Rio - Mudanças contratuais importantes e a prisão do ex-diretor de operações da Sete Brasil Pedro Barusco nas investigações da Operação Lava Jato foram o estopim de uma busca de maior transparência nos negócios da companhia, criada pela Petrobrás ao lado de parceiros para construir sondas para exploração de petróleo no fundo do mar - o pré-sal, por exemplo.

Nesta quinta-feira, 27, os principais acionistas da Sete Brasil se reúnem para discutir o andamento da auditoria interna aberta para apurar contratos de construção de sondas firmados desde 2010.

Barusco, que confessou ter recebido propina de fornecedores da Petrobrás, foi diretor de Operações da empresa entre 2011 e 2013, quando deixou a Sete Brasil alegando problemas de saúde. Antes, trabalhava na diretoria de Engenheira e Serviços da Petrobrás, um dos principais focos da Lava Jato. Na Sete Brasil, atuou na intermediação dos contratos de construção e aluguel de 29 sondas de perfuração, orçadas em US$ 25,5 bilhões.

A avaliação dos acionistas é que o clima na empresa é "tenso" diante das investigações e da proximidade de executivos da Sete Brasil com os envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobrás. Os principais investidores cobram da atual direção da empresa uma revisão "com lupa" dos contratos, que envolvem a estatal e também empresas investigadas pela Polícia Federal, como a Queiroz Galvão e a Odebrecht.

A Sete Brasil informou que a auditoria interna foi aberta "por iniciativa própria e proativamente" e tem como objetivo "apurar quaisquer irregularidades ocorridas nos processos".

Composição. A empresa é uma sociedade anônima com capital fechado. A Petrobrás detém 9,7% de participação, como investidora e também como integrante de um fundo de participações desenhado apenas para a empresa. O fundo é composto por bancos privados, como o BTG Pactual, e fundos de pensão de empresas públicas, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Fontes próximas aos investidores indicam que pelo menos um fundo já avalia deixar o negócio. A desconfiança dos investidores está relacionada às condições contratuais, alteradas após a assinatura dos primeiros acordos para a construção das sondas. Para cada operação, a Sete Brasil constituiu uma sociedade de propósito específico sediada no exterior, em países como Holanda e Áustria. Pelo desenho dos contratos, cabe aos acionistas - e não às empresas contratantes - o risco de investimento.

Das 29 sondas já contratadas, cinco estão em construção, embora mais de 30% do valor já tenha sido pago.

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