Empresa nega relação com acusada de fraudes na Petrobras

Mauá Jurong divulga nota nesta quinta, em que diz ´não conhecer a Angraporto´

Nicola Pamplona, do Estadão

12 de julho de 2007 | 18h40

O estaleiro Mauá Jurong divulgou nota nesta quinta-feira, 12, negando relações comerciais com a empresa Angraporto, acusada pelo Ministério Púbico Federal (MPF) de liderar um esquema de fraudes em licitações da Petrobras. "Não conhecemos e não temos nenhuma relação comercial com a empresa Angraporto, muito menos com quaisquer de seus dirigentes", diz o texto, assinado pela diretoria do estaleiro. O Mauá Jurong é citado pelas investigações da Operação Águas Profundas, da Polícia Federal, como uma das empresas integrantes do esquema. Segundo a companhia, afirma que vai contribuir com o MPF nas investigações e anuncia a possibilidade de recorrer à Justiça "com o objetivo de obter reparos cabíveis". A nota diz ainda que o Mauá Jurong teve prejuízo com as obras de reparo na plataforma P-16, contrato que motivou o indiciamento da empresa na Operação Águas Profundas.Na última quarta-feira, a Iesa Óleo e Gás, outra empresa acusada pela operação, também divulgou nota negando participação em esquema de corrupção na Petrobrás, conforme apontam investigações da Operação Águas Profundas, da Polícia Federal. "A Iesa Óleo e Gás repudia energicamente as acusações de que tem sido vítima e está convencida que sempre se limitou a cumprir estritamente suas obrigações contratuais", diz o texto. A companhia afirma que somente realizou obras da P-14 no estaleiro Angraporto por determinação do edital da Petrobrás. "A P-14 já estava ancorada no referido estaleiro, pois nela vinham sendo feitos trabalhos técnicos por outras empresas."Saia-justa O escândalo de fraude envolvendo licitações da Petrobrás criou uma saia-justa internacional. Isso porque a estatal integra, a convite da ONU, o conselho executivo do Pacto Global das Nações Unidas - iniciativa que convoca empresas do mundo todo a lutar contra a corrupção "em todas as formas", entre outras bandeiras que defende.A Polícia Federal acredita que a quadrilha desbaratada na segunda-feira, 10, seja a ponta de um esquema ainda maior na Petrobrás e, apesar de a estatal ter afastado os funcionários diretamente envolvidos no escândalo, os problemas não deixam de ser notados na ONU pelos funcionários do Pacto Global. A OperaçãoApós dois anos de investigação, a Polícia Federal desbaratou um esquema de fraudes em licitações para serviços de reparos de plataformas petrolíferas da Petrobrás. Ao todo, 26 pessoas foram denunciadas, incluindo gerentes da estatal, empresários, um agente da PF um ex-deputado. Ao investigar o esquema montado para fraudar licitações da Petrobrás, os agentes federais descobriram também fraudes financeiras em prestações de contas de organizações não-governamentais estaduais.

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