Empresa fantasma contesta quebra de sigilo

A Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa "laranja" acusada de servir de fachada para o desvio de verbas durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), está contestando no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo a quebra de sigilo decretada contra ela pelo juiz Ricardo Chimenti, da 2ª Vara da Fazenda Pública.Nas últimas semanas foram interpostos agravos regimentais e mandatos de segurança, um deles inclusive contra um desembargador do TJ. Como todos os processos correm em segredo de justiça, nem o TJ e nem o Ministério Público Estadual (MPE), autor do pedido de quebra de sigilo, podem se pronunciar.Fábio Kill, neto de um dos supostos sócios da empresa, o sapateiro Lavino Kill, afirmou hoje que não sabe quem utilizou o nome de seu avô para contratar advogados. "O nome do meu avô foi utilizado como ´laranja´ para criar a empresa. Só que agora ele quer a quebra de sigilo da Lavicen, para colocar as coisas em pratos limpos", disse Fábio, designado pela família para acompanhar o processo.A Lavicen atuou como sub-empreiteira da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) na construção do túnel Ayrton Senna, durante a gestão de Maluf. A empresa recebeu, em um único mês do ano de 1995, R$ 1,5 milhão. A cifra final das verbas repassadas para ela pode chegar "a alguns milhões", admite Sales. O Ministério Público descobriu que a Lavicen nunca teve máquinas para realizar os serviços pelos quais teria sido contratada.A Lavicen é investigada há dois anos. No final do ano passado, a Justiça de São Paulo decretou pela primeira vez a quebra de sigilo da empresa, mas a decisão foi derrubada no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O episódio foi controvertido. "Como uma empresa fantasma, formada por sócios ?laranja?, conseguiu contratar um importante escritório de advocacia para defendê-la?", perguntou na época o promotor Marcelo Mendroni, que integrava o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Em abril, a quebra do sigilo foi novamente decretada em primeira instância.

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