Clayton de Souza/AE
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Empresa contrata amigo de Palocci e ganho dispara

Celso Fonseca, que administra a ex-consultoria do ministro, tem ligações com 2 fornecedores do governo, um dos quais viu faturamento aumentar 30 vezes

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2011 | 17h35

BRASÍLIA - Um personagem até então desconhecido publicamente surgiu na crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. É Celso dos Santos Fonseca, nomeado por ele para administrar a Projeto Consultoria Econômica e Financeira entre julho e dezembro de 2010, período em que a empresa faturou pelo menos R$ 10 milhões e o ministro comprou o apartamento de R$ 6,6 milhões em São Paulo. Homem de confiança de Palocci, Fonseca tem ligações com duas empresas que, juntas, já receberam cerca R$ 5 milhões do governo federal comandado pelo PT. Uma delas aumentou em 30 vezes o faturamento após contratar o amigo do ministro.

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Entre abril de 2008 e janeiro de 2011, Fonseca foi superintendente comercial da editora e distribuidora de livros SBS Special Book Services, que vende obras didáticas, científicas e de idiomas. Ele deixou o cargo nessa empresa e a administração da consultoria de Palocci para assumir em fevereiro a chefia de gabinete do presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) - vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia -, Glauco Arbix, um amigo de Palocci dos tempos em que militaram no movimento estudantil Liberdade e Luta (Libelu). Arbix esteve, aliás, na cerimônia de posse de Palocci como ministro da Casa Civil em janeiro.

 

Em 2007, segundo dados do Portal da Transparência, a SBS recebeu R$ 36 mil do governo, apenas R$ 10 mil a mais do que 2006. No ano seguinte, com Celso Fonseca na função de diretor comercial, a SBS faturou pelo menos R$ 1,1 milhão, segundo os dados publicados no portal do governo. Mais cerca de R$ 1,3 milhão foi pago 2009. Em 2010, ano em que Fonseca assumiu a função de administrador da consultoria de Palocci, a SBS também vendeu R$ 1,3 milhão em livros para o governo.

 

Entre seus clientes estão os Ministérios da Educação, Fazenda, Agricultura, Transportes, Defesa, Cultura, Saúde, Relações Exteriores, e Ciência e Tecnologia. O amigo do ministro da Casa Civil ainda é sócio majoritário da MF Academic Book Services Comércio Importação de Livros, empresa que faturou R$ 295 mil no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando Palocci era ministro da Fazenda.

 

Projeto. Em 5 de julho de 2010, Fonseca foi nomeado "administrador" da consultoria de Palocci, que havia sido convidado para coordenar a campanha da então candidata a presidente Dilma Rousseff. O petista renunciou ao cargo de administrador sem mudar o quadro societário da Projeto. Celso Fonseca, que nunca foi sócio dela, deixou o cargo no dia 29 de dezembro, mesmo dia em que a Projeto alterou a razão e o objeto social para atuar no ramo de administração de imóveis. Desde então, a empresa estaria apenas cuidando do apartamento de R$ 6,6 milhões e do escritório de R$ 882 mil, comprados entre 2009 e 2010 em São Paulo. No lugar de Fonseca, assumiu Rita de Cássia. A reportagem procurou Fonseca para se manifestar, mas ele tem se negado a dar entrevistas sobre o assunto.

 

A Projeto foi aberta por Palocci em 2006 e funcionou até o ano passado como uma empresa de consultoria. No período, ele era deputado pelo PT. O ministro tem se negado a revelar para quais clientes trabalhou. Alega cláusula de confidencialidade. Pelo menos três empresas já admitiram ter contratado os serviços da Projeto: Banco Santander, Construtora WTorre e a operadora de saúde Amil.

 

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