Empreiteiros de obras de Maluf negociam com o MP

Empresários da construção civil, ex-diretores de fornecedoras de produtos e insumos do setor e até o emissário de uma empreiteira abriram negociação com promotores de Justiça que investigam suposto esquema de emissão de notas fiscais frias em obras do governo estadual e da administração Paulo Maluf (PPB). Os "arrependidos" - como são chamados no Ministério Público - sinalizam com a possibilidade de revelar detalhes de contratos que teriam sido superfaturados e desvios de recursos para caixa 2 e remessa para paraísos fiscais."Em troca da ajuda às investigações, esses empresários podem ser beneficiados com redução de pena ou até perdão judicial", informou o promotor Silvio Antonio Marques, que conduz apuração sobre ativos em nome de Maluf na Suíça e na Ilha de Jersey. O promotor suspeita que verbas de obras públicas teriam abastecido aplicações de Maluf. O ex-prefeito nega irregularidades em sua gestão e afirma que jamais manteve depósitos no exterior.Os benefícios aos "arrependidos" estão previstos na Lei 9034/95 (Lei do Crime Organizado) e na Lei 9807/99 (delação premiada). Na semana passada, o advogado de uma construtora procurou Marques e outros promotores de Justiça da Cidadania e do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). O advogado fez uma "sondagem", segundo Marques. "Ainda é um contato preliminar, em caráter informal, mas poderá se transformar em importante aliado do Ministério Público", avalia o promotor. Para ele, "as investigações estão em uma fase decisiva".O objetivo dos empresários é escapar de ação judicial por formação de quadrilha e corrupção ativa, além de tentar neutralizar uma devassa que pode expor antigas ligações de empreiteiras com setores da administração pública municipal e estadual. O esquema das grandes obras contava com a participação de empresas constituídas de laranjas.

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