Empreiteiras dominam órbita da Lava Jato

Investigação tem cinco núcleos, mas avança mais no que envolve executivos e acionistas ligados às empresas acusadas de formação de cartel

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2015 | 02h32

Com a prisão de executivos dos Grupos Odebrecht e Andrade Gutierrez, no dia 19, a Operação Lava Jato fechou a constelação de empreiteiras acusadas de envolvimento no esquema de desvios e de corrupção na Petrobrás. As duas construtoras figuram entre as mais representativas do mundo e suas trajetórias se confundem com a história da infraestrutura brasileira. Na "galáxia" da Lava Jato, elas são as "estrelas gigantes" e orbitam ao redor da investigação sob responsabilidade da Justiça Federal no Paraná.

Nessa mesma órbita, a dos cidadãos sem foro privilegiado, estão o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, delatores e pivôs do caso, e outros ex-dirigentes da estatal. A dupla, conforme as investigações, também ocupa posição de destaque no esquema, em camadas intermediárias nessa "galáxia", situados entre as "estrelas gigantes" e as "estrelas anãs", os responsáveis pelo transporte dos valores aos beneficiários do esquema de desvios na companhia petrolífera.

Em termos cronológicos, Youssef está diretamente ligado ao início da operação, em março de 2014 - a prisão do doleiro, em São Luís (MA), foi uma das primeiras realizadas pela Polícia Federal na primeira fase da Lava Jato.

Nova órbita. A órbita política tem como centro o Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Teori Zavascki aceitou, em março último, os pedidos de abertura de inquérito feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, referentes a autoridades com prerrogativa de foro e outros possíveis envolvidos em investigação cujo foco principal são desvios de recursos da Petrobrás. Ao todo, 50 pessoas são alvo de investigação, incluindo suspeitos sem prerrogativa de foro. Em todos os inquéritos, Zavascki revogou o sigilo na tramitação dos procedimentos, tornando públicos os documentos dos autos.

A partir desta semana, com a homologação da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, a órbita política dessa "galáxia", que ainda é menos representativa, deverá avançar a um outro patamar, já que ele citou nomes de ministros do governo Dilma Rousseff, de senadores e de deputados. Este é, até agora, o maior buraco negro da "galáxia".

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