Empreiteira é intimada a explicar obra de Maluf

A Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) foi intimada pelo Ministério Público de São Paulo a enviar, no prazo de 10 dias, "sob pena de desobediência", as cópias de todas as faturas dos negócios realizados com a Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, durante o ano de 1995. A Lavicen é acusada de servir de fachada para o desvio de verbas durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).No final do mês passado, intimada pelo Ministério Público a entregar os documentos de todos os negócios realizados com a Lavicen, a CBPO enviou as faturas pagas a partir de 1996, mas omitiu as de 1995. Em 1996, a Lavicen recebeu R$ 14 milhões pela suposta realização de trabalhos nas obras de construção do Túnel Ayrton Senna. O Ministério Público suspeita que os serviços nunca foram realizados. O Ministério Público tem documentos que provam que a CBPO começou a contratar a Lavicen a partir de 1995, para trabalhar no Túnel Ayrton Senna. O principal documento é um contrato de prestação de serviços assinado entre a CBPO é o procurador da Lavicen, Francisco Sacerdote, para a locação de seis tratores de esteira, duas motoniveladoras, três carregadeiras, 15 caminhões basculantes, quatro escavadeiras hidráulicas e quatro retroescavadeiras, entre outros equipamentos, pelo "período de pelo menos seis meses".A Lavicen nunca possuiu estes equipamentos, de acordo com investigações realizados pelo Ministério Público. O prazo para a entrega das faturas de 1995 começou a contar quarta-feira, quando a intimação foi oficialmente entregue para os responsáveis da CBPO. A omissão destas faturas na remessa de documentos feitas no mês passado, é tratada no ofício da intimação como "um lapso" que a empresa teria cometido.Mas o promotor da Cidadania Luiz Sales do Nascimento admite que a omissão pode ter sido intencional. "No ano de 95 deve ter ocorrido uma grande movimentação financeira entre as empresas", avalia. A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) também foi intimada ontem a enviar ao Ministério Público todas as medições de obras da construção do Túnel Ayrton Senna. Sales quer que os técnicos do Ministério Público localizem todas os supostos trabalhos realizados pela Lavicen nas obras do túnel, e os comparem com as faturas fornecidas pela CBPO. "Já temos indícios suficientes de que os serviços nunca foram efetivamente prestados, mas este cruzamento de dados poderá fornecer as provas definitivas", diz Sales. A Lavicen era subcontratada pela CBPO para trabalhar nas obras e recebeu, entre 1996 e 1997, durante a gestão de Maluf e de seu sucessor Celso Pitta (PTN), mais de R$ 21,5 milhões. A Lavicen não tem endereço fixo, o contrato social da empresa registrado na Junta Comercial do Paraná foi falsificado, um dos sócios é um "laranja" e o outro, inúmeras vezes intimado para depor, ainda não foi localizado pela Justiça. "Como uma empresa com este perfil conseguiu receber estes milhões todos de dinheiro público?", pergunta Sales. A direção da empresa informou que não vai se pronunciar sobre o caso.

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