Empregabilidade é trunfo eleitoral

Cristovam critica investimento maciço só em escolas técnicas: ''Isso dá voto. Ensino fundamental, não''

Julia Duailibi e Pedro Venceslau, O Estadao de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 00h00

Especialistas em educação apontam que programas voltados para o ensino técnico podem ter apelo eleitoral, principalmente em razão dos índices de empregabilidade. No Estado de São Paulo, por exemplo, 77% dos estudantes que saem das escolas técnicas conseguem arrumar emprego. No caso das faculdades, as Fatecs, esse porcentual chega a 93,2%, de acordo com números do Centro Paula Souza, que administra essas unidades. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação, critica o investimento maciço neste tipo de ensino em detrimento do fundamental. "Isso dá voto. Ensino fundamental, não. Afinal, criança não vota", afirmou. E concluiu: "Algum investimento em educação é sempre melhor que nenhum. Se for para fazer política eleitoreira é melhor que se faça com educação do que com construção de túnel".O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), que ocupou o cargo de ministro da Educação na gestão Fernando Henrique Cardoso, também vê com certo ceticismo o investimento que é feito pelo governo federal no setor. "Esse projeto foi elaborado pensando na sucessão de Lula. Isso de fazer as escolas serem 100% federais é uma questão ideológica. Eles acham que tudo tem que ser estatal. Não acreditam em parceria com o segmento privado", afirmou . PROJETOA Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, projeto de lei que reorganiza o sistema federal de ensino técnico. O projeto, que havia sido enviado pelo Executivo em julho, também prevê a criação de cargos para o ensino técnico. De acordo com o texto, todas as escolas técnicas federais - as atuais e as que serão inauguradas - serão divididas em 38 autarquias, chamadas de Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia. Cada uma terá a autonomia e o funcionamento similar ao de uma universidade. Cada unidade será considerada um campus, que vai oferecer do ensino médio ao doutorado, mas com uma diferença crucial em relação à rede federal de ensino superior: a formação será eminentemente técnica e voltada para as necessidades locais, e não só acadêmicas. Os institutos darão especial atenção às áreas de pesquisa e extensão. Metade das vagas será destinada à oferta de cursos técnicos de nível médio, em especial de currículo integrado. Na educação superior, o foco será em cursos de engenharia e de licenciaturas em ciências da natureza (física, química, matemática e biologia), com reserva de 20% das vagas. Ainda serão incentivadas as licenciaturas de conteúdos específicos da educação profissional e tecnológica, como a formação de professores de mecânica, eletricidade e informática.Os institutos federais terão autonomia para criar e acabar com cursos. Cada instituto federal é organizado em estrutura com vários campi, com proposta orçamentária anual identificada para cada campus e reitoria.

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