Empate com Dilma deve ajudar a definir vice de Serra, diz analista

Segundo cientista político, discussão sobre chapa puro-sangue com Aécio Neves deve voltar à tona

Chiara Quintão, da Agência Estado,

22 Maio 2010 | 12h27

O resultado da pesquisa Datafolha sobre intenção de votos à eleição para a Presidência da República, divulgada neste sábado, 22, que aponta empate entre Dilma Rousseff (PT) e o tucano José Serra, pode interferir na estratégia adotada pelo PSDB na disputa. A avaliação é do cientista político e pesquisador da PUC e FGV-SP, Marco Antônio Carvalho Teixeira.

 

"A pesquisa pode interferir na definição de quem será o vice de Serra, e a probabilidade de o PSDB radicalizar o discurso também é muito grande", diz o cientista político, ressaltando que a discussão sobre o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, fazer parte de uma chapa puro-sangue voltou à tona. Na pesquisa de intenção de voto Datafolha, Dilma e Serra aparecem com 37% das intenções de voto cada, ante os 30% e 42%, respectivamente, da sondagem realizada em meados de abril. Marina Silva (PV), se manteve estável em relação à última pesquisa, com 12%. Os números foram publicados na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo.

 

"A pesquisa confirma tendência apontada pelos outros dois institutos (CNT/Sensus e Vox Populi), cujos resultados foram um pouquinho mais favoráveis para Dilma, apesar de configurarem empate técnico. O momento é mais favorável para Dilma", afirma Teixeira. Conforme o cientista político, a escolha pelo PSDB do vice de Serra deverá levar em conta a capacidade de agregação do candidato e não somente o tempo de exposição na televisão com que o candidato a vice poderá contribuir.

 

"Minas Gerais tem um colégio eleitoral muito grande, e Aécio tem presença nacional", acrescenta. Se o PSDB optar por mudar sua estratégia, a postura dos tucanos poderá ser "híbrida", segundo Teixeira. Na avaliação do cientista político, Serra não se apresentaria como oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade está em níveis recordes, mas outras vozes do PSDB, como a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), teriam posturas mais radicais em relação a Lula. "Serra tem se apresentado não como oposição, mas como diferente, de continuidade, mas que vai fazer melhor", diz.

 

Teixeira destaca a migração de votos que tem havido de Lula para Dilma. Na pesquisa espontânea do Datafolha, Dilma tem 19% das intenções de votos, e Lula, 5%. Na primeira sondagem do instituto, Dilma tinha 8% e Lula, 20%. "Lula perdeu 15 pontos porcentuais, enquanto Dilma ganhou 11", compara.

 

O pesquisador destacou ainda que, conforme a sondagem, a rejeição de Serra supera a de Dilma, e a petista venceria no segundo turno das eleições. De acordo com a sondagem Datafolha, o índice de rejeição de Serra é de 27%, enquanto o de Dilma é de 20%. O resultado apontado para o segundo turno, com resposta estimulada, foi de 46% de intenções de voto para Dilma e 45% para Serra. Segundo Teixeira, há probabilidade de o vencedor da eleição ser definido no primeiro turno, "à medida que não há um terceiro candidato forte".

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