Empatados, Gabeira e Paes elevam ataques

Candidatos do PV e PMDB trocam acusações, enquanto cabos eleitorais brigam e panfletos apócrifos são distribuídos

Luciana Nunes Leal e Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

14 de outubro de 2008 | 00h00

Empatados tecnicamente na disputa pela Prefeitura do Rio em segundo turno, Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB) se envolveram numa escalada crescente de ataques. Em sua face mais dura, o confronto incluiu panfletos e faixas lembrando recentes frases do candidato verde sobre a vereadora Lucinha, do PSDB ("Ela está com salto alto. É analfabeta política. Tem visão suburbana e precária"), distribuídos nas zonas norte e oeste pelo "Movimento de Desagravo ao Subúrbio do Rio". Gabeira acusou Paes de jogar parte da cidade contra a outra (a zona sul, onde tem sua mais forte base) e disse que a acusação é "a tábua de salvação" do adversário.Em outra frente, Paes acusou o militante do PV Francisco Miranda, agredido no fim de semana por cabos eleitorais do PMDB, de ter ficha criminal por estelionato, lesão corporal e provocação de baderna. "O candidato Gabeira está andando muito mal acompanhado", provocou.Segundo Gabeira, Paes usou a máquina pública para obter informações (o peemedebista admitiu tê-las conseguido com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, mas disse que são públicas). O deputado também comparou as acusações contra Miranda às alegações contra mulheres estupradas, que seriam atacadas sexualmente por serem sedutoras, e disse que quem anda mal acompanhado é Paes. Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, Gabeira tem 43% das intenções de voto e Paes, 41%."Ele continua desenvolvendo a tática de culpar a vítima", afirmou Gabeira. Na frente jurídica, o verde anunciou ontem que a aliança que o apóia (PV-PSDB-PPS) foi à Justiça para suspender a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha adversária. A ação alega que no segundo turno continua em vigor o mecanismo legal que impediu, no primeiro, a participação na campanha de filiados a siglas que tinham candidato próprio ou em aliança.Exibido ontem pela primeira vez, o depoimento de Lula foi gravado na semana passada, depois que o ex-parlamentar pediu desculpas ao presidente por ter, como deputado do PSDB, atacado o governo federal no caso do mensalão, em 2005."Queríamos livrar o presidente da República deste constrangimento (ser retirado da campanha)", disse Gabeira. "É um líder de renome internacional, não é correto que seja julgado numa eleição municipal e julgado numa circunstância em que estão desrespeitando a lei." O Tribunal Regional Eleitoral negou ontem a liminar para impedir a participação de Lula e informou que vai julgar o mérito nos próximos dias."Apesar de o DEM não fazer parte da coligação do Gabeira, se ele colocar o Cesar Maia - que o está apoiando - no programa eleitoral, não vou reclamar não, nem entrar na Justiça", ironizou, em alusão aos baixos índices de popularidade do prefeito. Ontem, na propaganda, além de exibir Lula, Paes mostrou linha mais propositiva, sobretudo na saúde. Já Gabeira fez programa emocional e levou ao ar outra vez o cantor e compositor Caetano Veloso e exibiu o apoio do arquiteto Oscar Niemeyer.

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