Empatado com Dilma, Ciro defende dois candidatos do governo

Deputado diz que único adversário na campanha é Serra, que junto com FHC fez 'agenda perversa' para o País

Júlio Castro, de O Estado de S. Paulo,

24 de setembro de 2009 | 17h42

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) defendeu, em Florianópolis, a união da base governista em prol de dois candidatos à disputa pelo Palácio do Planalto em 2010. Falando como pré-candidato, Ciro afirmou que não se vê em antagonismo político com o presidente Lula acrescentando que a base governista deve trabalhar fechada. "O meu único adversário neste momento se chama volta ao passado. E este passado se chama Serra (o governador de São Paulo José Serra-PSDB). Ele foi ministro do Fernando Henrique Cardoso e eles construíram uma agenda perversa para o País", declarou em entrevista coletiva na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

 

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Sobre a última pesquisa CNI/Ibope em que aparece empatado em segundo lugar com a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata petista, Ciro destacou que o indicativo envolve muita precariedade e que seu compromisso está em buscar na sociedade um reconhecimento daquilo que ele é a partir de um desenho novo que pretende defender para o Brasil. "Eu vejo estes números preliminares com gratidão, porém quase nada tem a ver com o que ainda vai acontecer", declarou. Sobre sua postura de campanha, num cenário envolvendo seu nome diante de um adversário da base governista, o deputado federal afirmou que ainda não sabe como irá se diferenciar. "Minha única ferramenta de luta será minha palavra e neste contexto espero contar com 80% do povo brasileiro do meu lado", disse.

 

No campo das hipóteses, com Dilma como "adversária", Ciro defendeu uma posição do PMDB. Segundo ele, seria muito bom para o Brasil que o PMDB tomasse uma posição indicando um candidato a vice na chapa da candidata petista. Sobre eventuais alianças formadas à sua candidatura, o pré-candidato esclareceu que elas serão feitas, porém com um "filtro" muito especial fundamentado na moral e intelectualidade de pessoas que estão comprometidas com o futuro promissor do Brasil. Ciro descartou a possibilidade de sair candidato ao governo de São Paulo, afirmando que seu compromisso é com a Nação quando questionado sobre a possibilidade da transferência de seu domicílio eleitoral. "No meu íntimo não desejo esta transferência", disse, acrescentando que a decisão poderá ser do seu partido.

 

Como ex-ministro da fazenda - no final do governo de Itamar Franco, em 1994 - Ciro deu umas pitadas de economia reconhecendo como exemplar a política econômica do governo Lula. Fez referência aos índices positivos associados ao desenvolvimento do País considerando a ampliação da renda nacional impulsionada pelos significativos reajustes do salário mínimo durante a política do governo Lula iniciada em 2003 além da formalização e expansão do mercado de trabalho. Sobre as recentes descobertas de petróleo na camada pré-sal disparou: "Não podemos cair na loucura de gastar este dinheiro. O pré-sal tem que ser visto como um fundo para financiar o Brasil e as crianças que vão nascer pelos próximos 30 anos" discursou acrescentando que na era da política da energia limpa, o petróleo ainda terá sobrevida pelas próximas três décadas.

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